The Project Gutenberg EBook of Inscripes portuguezas, by Luciano Cordeiro

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net


Title: Inscripes portuguezas

Author: Luciano Cordeiro

Release Date: March 17, 2009 [EBook #28348]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPES PORTUGUEZAS ***




Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was
produced from images generously made available by National
Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)









VESPERAS DO CENTENARIO

DA

INDIA



Inscripes Portuguezas

POR

LUCIANO CORDEIRO



_Fiel guarda da memoria  a escripta, porque renova as cousas antigas,
confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas
para que as noticias d'ellas se no entreguem ao esquecimento dos
vindouros._

(N'um diploma de doao de Affonso Henriques ao Mestre Galdino
Paes.--Trad.)



LISBOA

IMPRENSA NACIONAL

1895




INSCRIPES PORTUGUEZAS




VESPERAS DO CENTENARIO

DA

INDIA



Inscripes Portuguezas

POR

LUCIANO CORDEIRO



_Fiel guarda da memoria  a escripta, porque renova as cousas antigas,
confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas
para que as noticias d'ellas se no entreguem ao esquecimento dos
vindouros._

(N'um diploma de doao de Affonso Henriques ao Mestre Galdino
Paes.--Trad.)



LISBOA

IMPRENSA NACIONAL

1895




A

Gomes de Brito




INSCRIPES PORTUGUEZAS

1.^a SERIE

(EXTRAHIDA DA _ARTE PORTUGUEZA_)




 claro que os seguintes apontamentos, desordenadamente colhidos e
reunidos, no tem a menor preteno a iniciar um _Corpo de inscripes
portuguezas_, que, alis, era tempo de comear-se.

Estas notas dispersas, que a piedade domestica, a prosapia genealogica,
a vaidade individual, o culto civico escreveu na pedra ou no bronze dos
monumentos ou das campas, tem, sob varios aspectos, um irrecusavel
interesse critico, alem de que so, frequentemente, verdadeiras e
importantes revelaes histricas.

Parecer at impertinencia querer demonstrar, ainda, a utilidade da sua
colheita e registo.

Ora, todos os dias ruem os monumentos e vo-se apagando e desapparecendo
as legendas tumulares, por esse paiz fra.

, comtudo, to facil, to agradavel passatempo, at, conserval-as!

Nas minhas excurses provincianas, tenho consagrado ao _calco_,--ao
modesto e singelissimo calco a papel, agua e escova,--a dedicao de uma
propaganda importuna e teimosa, e  ainda a ida de reforar essa
propaganda pela lio directa da sua razo e utilidade, que me
determinou a ir publicando os primeiros resultados,--embora pequenos,
valiosos.

Pareceu-me, porm, no dever limitar-me a reunir, apenas, as inscripes
agora directamente colhidas, e, menos ainda, smente as que podessem
considerar-se ineditas.

Alem de que algumas, publicadas de ha muito, precisam e poderam ser
corrigidas por um novo exame, o successivo agrupamento das que andam
dispersas por varias obras  evidentemente um bom servio, em que oxal
me permittissem o tempo e os recursos poder cooperar melhor do que
procurarei fazel-o.




I


[Figura: Thomar, convento de Christo, na Sacristia Velha: pequena
lapide, caracteres gothicos minusculos.]




Leitura:


     --_Esta capella mandou fazer Vasco Gonalves d(e) Almeida,
     cavalleiro, e sua mulher Mecia Loureno, amos do Infante Dom
     Henrique, e foi feita (na) era do Salvador de  1426._--


Damio de Goes (Liv. das Linh. MS.) abre o--_Titulo dos Almeidas_--com o
seguinte:


--Ferno d'Alvares d'Almeida foi um honrado cavalleiro em tempo delRei
Dom Joo o 1.^o. Foi Vedor de sua Casa, sendo elle Mestre d'Aviz, e,
depois, em sendo Rei, foi Craveiro da dita Ordem e _Ayo dos filhos do
dito Rei_.

Houve filhos bastardos: Diogo Fernandes d'Almeida, Alvaro Fernandes
d'Almeida e Nuno Fernandes, de quem no ha gerao. E houve filhas.


N'esta bastardia,  que continuou e prosperou fidalgamente o nome, logo
pelo primeiro rebento,--o Diogo,--que foi vedor da fazenda de D. Joo I
e. de D. Duarte, e que, segundo Goes--casou com sete mulheres--das
quaes o illustre chronista se limita a citar duas, apenas, se  que no
houve erro de copia na primeira conta:


...a primeira, filha de Dona Tareja, filha de Joo Fernandes Andeiro,
Conde de Ourem e foi irm, da parte da Me, do Arcebispo de Braga Dom
Francisco da Guerra; e della houve a Lopo d'Almeida; e a outra segunda
mulher foi filha do Prior do Crato Dom Nuno _Gonalves_, e houve della a
Alvaro d'Almeida e Anto d'Almeida e Dona Branca d'Almeida, primeira
mulher de Ruy Gomes da Silva, _o da Chamusca_, e Dona Isabel d'Almeida,
mulher d'Alvaro de Brito, e assim houve outras filhas.


No ter havido anterior ligao com a familia do Prior, e no derivaria
d'ella o Vasco _Gonalves_, da inscripo?

O que parece certo  ter elle escapado, at agora,  luz indiscreta da
Genealogia, na desolada solido da Sacristia Velha de Thomar, com a sua
companheira, a Mecia Loureno, que trouxe, naturalmente, aos burguezes
seios o--Alto Infante--das descobertas.

_Amos do Infante_ so evidentemente os que o crearam; e esta designao
abrangendo a Mecia, deve indicar a mulher que o amamentou. Bemditos
peitos!

Devo o calco d'esta inscripo ao meu amigo sr. M. H. Pinto, o distincto
artista e director da escola industrial de Thomar.




II



[Figura: Leiria, Castello, sobre a porta da Torre de Menagem: em
caracteres gothicos grosseiramente abertos sobre linhas ou _pautado_
egualmente cavado, n'uma das pedras da muralha. Inferiormente e na mesma
pedra, tres pequenos escudos, tendo o do centro as bandas ou barras de
Arago e os dos lados as quinas, convergentes.]




Leitura:


     --_(Era) 1362 an(n)os foi esta tor(r)e co(mead)a (aos) 8 dias de
     maio, e mandou-a fase(r o muito) nobre Dom Diniz, Rei de
     Portugal.................acabada._


Esta ultima parte, inintelligivel j, evidentemente diria a data do
acabamento: dia e mez, ou smente o mez.


Esta inscripo, que parece ter sido feita depois de concluida a Torre,
e que  de singular importancia por fixar precisamente a construco ou
a reconstruco do castello por D. Diniz, tem-se conservado
desapercebida, talvez pela altura em que est e por se confundir, 
primeira vista, com as escabrosidades da pedra.

parte o facto dos nossos archeologos, ou dos que se dizem taes, mais se
dedicarem, geralmente,  explorao das mais banaes inscripes de
cippos romanos do que  colheita das que podem illustrar a historia
patria.

Alli mesmo, n'aquelle formoso monumento chamado o Castello de Leiria,
que bem pde dizer-se amassado com sangue, a busca das inscripes
romanas nas pedras funerarias aproveitadas nas muralhas, tem chegado a
fazer perigar a segurana das construces, ao passo que nos restos dos
Paos do Rei Lavrador nenhuma explorao regular se tem feito.

Escusado ser acrescentar que o escudo com as barras ou bandas
aragonezas  uma affirmao ou uma homenagem ao senhorio de Leiria dado
 Rainha D. Isabel, _a Santa_.

O calco d'esta inscripo, e at a denuncia d'ella, foi-me fornecido
pelo meu amigo sr. Joo Christino da Silva, ento director e professor
da escola industrial _Domingos de Sequeira_, de Leiria.




III


[Figura: Obidos, Torre do Castello, no humbral da porta (ogival), lado
esquerdo.]




Leitura:


     --_E(ra) 1413 annos, no mez d(e) outubro, foi comeada esta
     tor(r)e, p(or) mandado delrei Dom Fernando, da q(ua)l foi vdor
     D(iog)o M(art)i(n)s da Tougia, e foi della m(estr)e Jo(o)
     Do(mingue)s, e foi feita  custa do dito._


O meu amigo Sousa Viterbo lembra-me que Giner de los Rios d esta
inscripo no seu _Portugal_; mas, pela copia que me transmitte, entendo
que o escriptor hespanhol no soube copial-a e lel-a bem. Assim, na
linha 1) tomou o _s_ final pelo algarismo 6, que nada significaria, e na
linha 2) supprimiu o _o_ na primeira palavra. Embaraaram-n'o
naturalmente os pontos de separao, muitas vezes colocados por simples
fantasia decorativa. Trocou tambem os nomes do vdor fazendo-o
representar por um caprichoso --_A.^n Mig.^n da Toura_-- e o do Mestre
por--_f.^a Doz_.

O do primeiro  claramente:--_d.^o miz_ (Diogo Martins) e apenas a
ultima designao offerece difficuldade, no podendo, porm,
ser:--_Toura_--porque est muito intelligivel no comeo da linha 8) a
letra _g_. A sobreposta parece realmente _r_, o que difficultaria
extremamente a leitura; mas porventura uma irregularidade ou estrago da
pedra  que lhe d aquella apparencia, sendo simplesmente um _i_, o que
d a palavra--_Tougia_.

_Tougia_, _Taugia_, _Ataugia_, _Touria_,  _Atouguia da Baleia_,
povoao que no fica muito distante e que teve grande importancia no
tempo de D. Fernando e de D. Pedro I, que n'ella celebraram crtes, e
onde, pouco antes do primeiro, seno no seu tempo, se fez ou reformou
tambem um forte castello.

O nome do vedor seria pois: Domingos Martins da Tougia ou _d'Atouguia_,
o que, como se v, s pela interpretao de um signal ou letra
sobreposta, pde suscitar hesitao.

 a leitura que preferimos, at por no encontrarmos melhor. O nome do
mestre, e que no nos parece que offerea duvida,  _Joo Domingues_ ou
_Domingos_.

Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr. Joo
Christino da Silva, esta inscripo, bem como a seguinte.




IV


[Figura: Obidos, na Torre do Facho.]




Leitura:


     --_Foi reformada esta muralha por Dom Sancho  primeiro._--


Evidentemente no  coeva esta inscripo, em caracteres mixtos (goth. e
red.).




V


[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, sob o segundo arco
da nave esquerda.]




Leitura:


     --_Aqui jaz Fern(o) de Sa(m)paio, Caval(l)eiro fidalgo, creado
     delrei dom Af(f)onso, e sua filha M(ari)a de  Sa(m)paio._--


Ser Ferno Vaz de Sampaio, filho de Vasco Pires de Sampaio e de D.
Maria Pereira, da casa da Feira?

Este, fazem-n'o os genealogistas casado duas vezes, uma com D.
Senhorinha, outra com Joanna de Alvim; e alguns, uma s vez, com uma ou
com a outra d'aquellas senhoras, attribuindo-lhe varios bastardos
havidos n'uma Leonor Affonso,--mulher solteira--entre os quaes um Lopo
Vaz de Sampaio, que D. Affonso V legitimou em 1453.

Que o Rei Affonso de que falla a inscripo  Affonso V, no pde
duvidar-se.

O titulo dos Sampaios, como se diz em Genealogia, foi sempre muito
complicado por enxertos ganceiros.

O calco foi-me enviado pelo sr. M. H. Pinto




VI


[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, do lado esquerdo da
porta de entrada (interior). Caracteres gothicos.]




Leitura:


     --_Esta sepultura  de Isabel Vieira, mulher d(e) Af(f)o(n)so de
     Vivar, Caval(lei)ro, co(n)tador da casa delrei nos(s)o s(enhor),
     q(ue), depois de seu fal(l)ecim(en)to, foi Com(m)e(n)dador das
     Alencarcas. E se finou a 18 dias de fevereiro de 1492._


No pde haver duvida de que a inscripo, muito esmerada por signal,
diz:--Commendador das Alencarcas. Foi-o Affonso de Vivar, ou depois do
fallecimento da mulher, ou, o que  mais provavel que a inscripo
queira dizer, depois do fallecimento do Rei, que seria ento Affonso V,
se a data da morte da mulher corresponde  da abertura da inscripo.

Mas o que eram as Alencarcas?

Devo o calco ao amigo j citado e que muitas mais vezes terei de citar
ainda, o sr. M. H. Pinto.




VII


[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, na capella mr.
Caracteres gothicos. Truncada por construco posterior, que se lhe
encostou, dos degraus do altar.]




Leitura:


     --_Aq(ui) jaz Do(m) Gil M(ar)ti(n)s, o p(ri)meiro M(estr)e q(ue)
     foi da Caval(l)aria da Orde(m) de Jesus Christo, q(ue) foi
     f(re)irado_ (feito freire) _na Ord(e)m d(e) Avis e M(estr)e da
     Caval(l)aria des(s)a Orde(m) e foi da linhagem do Outeiro; q(ue)
     pas(s)ou_ (faleceu) _e(m) sexta feira, 13 dias (d)e nove(m)bro,
     e(ra) 1359 an(n)os (a) q(ua)l alma D(eu)s leve p(er)a a gloria do
     Paraiso. Ame(n) Co(m) e(lle) mais os(s)os s(o?)._


Est a lapide embebida na parede do lado esquerdo, por baixo do formoso
mausoleu de D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, tendo sido
para alli removidos os restos do Gro-Mestre, nas obras de renovao
feitas na igreja, no tempo de D. Manuel ou j de D. Joo III, segundo a
tradio.

Deviam estar anteriormente n'um caixo ou tumulo de pedra. A esses
restos se juntaram os de outros personagens, e a isto seguramente
alludia a parte truncada ou illegivel da lapide.

No , pois, perfeitamente exacto que se no saiba:--o logar certo onde
esto as cinzas do primeiro Mestre de Christo--como diz Santos (_Monum.
milit_, etc.), que, alis, indica a remoo d'esses restos e a
inscripo que os denuncia, que melhor fra que tivesse copiado, com as
mais.

Pertence o calco  bella colheita com que me tem brindado o sr. M. H.
Pinto.




VIII


[Figura: Thomar, igreja de Christo, junto  Charola. Caracteres rom.
maiusc. Grande lapide.]




Leitura:


     --_Aq(u)i jaz o m(ui)to (h)o(n)rado Com(m)e(n)dador Do(m) Lopo Dias
     de Sousa, Mestre da Caval(la)ria da Orde(m) de Christo, q(ue) foi
     se(m)p(r)e m(ui)to leal s(e)r(v)idor ao m(ui)to alto se(m)p(r)e
     ve(n)cedor elrei Do(m) Jo(o) o p(r)im(ei)ro, (a)o qual foi
     gra(n)de ajuda e(m) defe(n)so d'estes reinos; e e(n)trou co(m)
     el(l)e ci(n)co vezes e(m) Castel(l)a co(m) sua Caval(l)aria, e e(m)
     a tomada de Ceuta; e teve o mestrado q(u)are(n)ta e seis an(n)os. E
     finou-se na era de Jesus Christo de 1435 an(n)os, aos nove dias do
     mes de fev(erei)ro, e o m(ui)to ho(n)rado e presado s(enh)or o
     I(n)fa(n)te Do(m) (H)e(n)riq(u)e, governador da dita orde(m),
     duq(ue) de Viseu e s(enh)or de Covilha(m), o ma(n)dou tra(s)ladar a
     este co(n)ve(n)to, aos oito dias do mez de maro da dita era do
     na(s)c(i)m(en)to de Nos(s)o S(enh)or de 1435 an(n)os._



Este D. Lopo Dias de Sousa  personagem bem conhecido e de quem  facil
encontrar larga noticia.

Era bisneto, pelo pae, de D. Affonso Diniz, filho de Affonso III--e da
condessa de Bolonha D. Mathilde--a primeira mulher d'este Rei, sendo
filho de Alvaro Rodrigues de Sousa e de D. Maria de Menezes, filha de
Martim Affonso Tello de Menezes, irmo da celebre Rainha e adultera, D.
Leonor Telles. Foi esta que o fez Mestre da Ordem, quando no tinha
edade para o ser, o que no obstou a que elle honrada e valentemente
viesse a servir a causa portugueza do Mestre de Aviz (Joo I) contra as
pretenses e a invaso de Castella, patrocinadas pela adultera.

Diz Goes (_Liv. das Linh. MS._):


Dom Lopo Dias de Sousa... foi Mestre de Christo, apresentado na dita
dignidade por ElRei Dom Fernando, a requerimento da Rainha Dona Leonor
Telles, mulher do dito Rei Fernando, que era tia d'este Dom Lopo Dias,
Mestre de Christo... Teve por manceba a Dona Maria Ribeira, que em
Pombal houve dispensao do Papa para a receber por mulher, e houve
d'ella estes filhos: a Diogo Lopes de Sousa e Dona Mecia de Sousa, que
casou com Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro Conde de Marialva, e
Dona Violanta, que casou com Ruy Vaz Ribeiro de Vasconcellos, Senhor de
Figueir dos Vinhos e do Pedrogam, e Dona Isabel, mulher de Diogo Lopes
Lobo, Senhor d'Alvito, e Dona Aldona, mulher de Pedro Gomes de Abreu _o
Velho_, e Dona Branca, mulher de Joo Falco, e Dona Leonor, mulher de
Affonso Vasco de Sousa.


Um neto d'elle, Alvaro de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa,
mordomo-mr do Rei D. Duarte, foi mordomo-mr de D. Affonso V e casou
com uma filha de D. Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D.
Henrique:--D. Maria de Castro.

Uma observao ainda: A inscripo parece corrigir a verso commum
adoptada por J. A. dos Santos, na bella monographia _Monumento das
Ordens militares_, etc., _em Thomar_, de ter Dom Lopo cahido em poder
dos castelhanos em Torres Novas, ficando inutilisado para todo o resto
da campanha.

--Entrou cinco vezes em Castella--diz terminantemente a pedra.

Devo o calco ao sr. M. H. Pinto, que ultimamente me mandou alguns
outros, de Figueir, entre os quaes encontro o da inscripo que incluo
em seguida por importar  prole do mesmo personagem.




IX


[Figura: Figueir dos Vinhos, igreja de S. Joo Baptista. Em caracteres
gothicos.]




Leitura:


     --_Aqui jaz o muito ho(n)rado caval(l)eiro Ruy Vasq(ue)s, filho de
     Ruy Me(n)des de Vasco(n)cel(l)os, neto de G(onalo) Me(n)des e de
     Dona Maria Ribeira; e Dona Viola(n)te de Sousa, sua mulher, f(ilh)a
     de Do(m) Lopo Dias, M(estr)e de Christo, neta d(e) Af(fo)n(s)o Dias
     de Sousa e de Dona M(ari)a, irma(n) da rainha Dona Leonor; os quaes
     ma(n)dou s(epulta)r Rodrigo de Vasco(n)cel(l)os, seu filho
     (h)erdeiro... era de Nos(s)o S(enho)r Jesus Christo de 1453
     an(n)os._


(Vide o commento da inscripo anterior.)

Enviou-me o calco o sr. M. H. Pinto.




X


[Figura: Thomar, Convento de Christo, sobre o arco da Sacristia Velha.]




Leitura:


     --_Era MCC  VIIII magister Galdinus nobili siquidem genere Bracara
     oriundus exctitit tempore autem Alfonsi illustrissimi Portugalis
     regis. Hic secularem abnegans miliciam, in brevi ut Lucifer
     eminevit, nam Templi miles Gerosolimam peciit ibique per
     quinquenium non in hermen vitam, duxit cum Magistro enim suo cum
     Fratisbusque implerige preliis_ contra _Egipti et Surie insurrexit
     regem. Cumque Ascalona caperetur, presto eum in Antiocam pergens
     sepe_ contra _Sidan decione dimicavit. Post quinquennium vero ad
     prefatum qui et eum educaverat et militem fecerat reversus est
     regem. Factus Domus Templi Portugalis Procurator hoc distruxit
     castrum Palumbar, Thomar, Ozezar et hoc quod dicitur Almoriol et
     Eidaniam et Montem  Sanctum._--


Verso:


     --_Era de 1209. O Mestre Galdino, certamente de nobre gerao,
     natural de Braga, existiu no tempo de Affonso, illustrissimo Rei de
     Portugal. Abandonando a milicia secular, em breve se elevou como um
     Astro, porquanto, soldado do Templo, dirigiu-se a Jerusalem, onde
     durante cinco annos levou vida trabalhosa. Com seu Mestre e seus
     Irmos, entrou em muitas batalhas, movendo-se contra o Rei do
     Egypto e da Syria. Como fosse tomada Ascalona, partindo logo para
     Antiochia pelejou muitas vezes pela rendio de Sidon. Cinco annos
     passados, voltou, ento, para o Rei que o crera e o fizera
     cavalleiro. Feito Procurador da casa do Templo em Portugal, fundou,
     n'este, o castello de Pombal, Thomar, Zezere e este que  chamado
     Almoriol, e Idanha e  Monsanto._--


Esta inscripo tem sido dada por diversos auctores, mas em nenhum 
rigorosamente exacta a copia. O proprio Costa (_Historia da ordem_, pg.
178, doc. 14) figurando-a toscamente em reproduco graphica, erra logo
na _era_ a leitura, dando a de 1208 pela de MCCVIIII ou 1209 que to
nitidamente se l na linha _1_).

Este erro generalisou-se, repetindo-o Viterbo (_Elucidario_) e
adoptando-o Pedro Ribeiro (_Dissertaes_). Debalde Cunha (_Historia
ecclesiastica de Braga_), na sua traduco, soffrivelmente phantasiosa,
restituiu a _era_ exacta de 1209.

Na linha _4_) suscitou-me duvidas a leitura commum do --_hic_,--pela
frma especial da inicial, que se encontra na linha _6_), onde parecia
repugnar-lhe o valor de--_h_--. Mas, no podendo ler-se:--_inic_--ainda
por:--_in hic_-- foroso acceitar a leitura geral. Na mesma linha, a
palavra --_abnegans_--tem evidentemente a frma de--_acbnegans_,--que
alis diz o mesmo.

Na linha _5_), a leitura geral  a de--_emicuit_--por--_emievit_,--que 
positivamente a que est na pedra. Preferimos, porm, a
de--_eminevit_,--de--_emineo_,--que mais se approxima, e que no altera,
mas precisa mais o sentido. Foi-me suggerida por Gabriel Pereira esta
verso.

Na linha _6_), Costa
copiou--_petiit_--por--_peciit_,--e--_inermem_--por--_in hermen_,--que 
o que claramente l est. V-se que o embaraou tambem a frma da
inicial acima alludida, no querendo ler n'ella o--_h_--que alis no
duvidra ler, como tal, no--_hic_--da linha _4_). A soluo parece-nos
ser a de dar quella frma, aqui, o valor de uma simples tremao ou
dierese do--_i_--lendo realmente:--_ermen_--ou--_in ermam vitam_--.
Podem no ter grande importancia estas variantes, mas  sempre bom
conservar-se a frma original em taes cousas.

Na linha _7_) onde se l:--_cvm Magistro enim svo_,--Costa permitte-se
acrescentar um--_fuit_,--que l no est, nem  necessario.

Mas  na linha _9_) que as pretenses correctivas do auctor da _Historia
da Ordem_, etc., tomam mais graves propores. Assim: onde nitidamente
se l:--_presto evm in Antiocam_,--elle simula copiar:--_presto fuit in
Antiochie_,--e logo em seguida l:--_sepe Suldani_--em vez de--_sepe_
contra _Sidan_,--como diz a pedra, e bem. D assim origem ao erro que
elle, Cunha, e os mais commettem, de
traduzir--_Soldo_--por--_Sidan_,--o soldo ou sulto, no se sabe qual,
pela cidade de _Sidon_, perfeitamente conhecida.

Na linha _10_), a leitura de Costa e dos mais, embaraou-se na
abreviatura--_vo_,--que se segue 
palavra--_quinquennium_,--claramente:--_vero_,--e achou ento melhor
supprimil-a. Em seguida, reduziu a--_eum_,--a abreviatura em que entrava
um--_t_--muito bem definido, mas que o embaraava tambem.
Restituimos--_et eum_--que  frma conhecida.

Na linha _11_), tem-se lido sempre por--_hoc construxit_,--que  a
leitura que immediatamente occorre, de certo, a frma ou phrase, que,
pelo rigoroso confronto dos caracteres da inscripo, no podemos ler
seno como:--_hocdstrvxit_--. A primeira duvida suscitou-nol-a
o--_hoc_,--no porque no esteja bem definido nos caracteres, mas porque
nos pareceu arrevesado ou inadequado ao sentido.  evidente, porm, que
se quiz precisar o _paiz_, o _logar_ e no o objecto ou o castello,
determinadamente, e assim traduzimos:--_Feito Procurador da Casa do
Templo, em Portugal, neste_ (i. e. aqui) _fundou_, etc. Mas porque  que
todos tem fugido a ler litteralmente:--_dstrvxit_,--que  a forma
original? Naturalmente, por entenderem que esta frma equivaleria
necessariamente  de--_destruxit_ (de _destruo_)--dando o absurdo de ter
Galdino _destruido_ os castellos em vez de os ter construido
(_construxit_). Mas  que no lembrou que no era fatal
ler--_destruxit_,--e que, lendo-se--_distruxit_--(de _distruo_), se
obtinha a ida contraria, ou a ida precisa de ter o Templario portuguez
lanado, espalhado, ou construido, _aqui_, em _diversas partes_, os
fundamentos d'esses diversos castellos. E mais explicado fica
o--_hoc_,--antecedente.

Finalmente, na ultima linha, ha duas abreviaturas:--_dod. dr._--ou
talvez, por uma inverso da primeira inicial:--_qod. dr._--que
geralmente se l, e parece bem:--_quod dicitur_--.

Tambem esta interessantissima inscripo, pela primeira vez directamente
reproduzida por calco, que me enviou o sr. Pinto, da escola industrial
de Thomar, no tem obtido at agora uma traduco regularmente exacta.
Costa e Cunha no separam as oraes, nem traduzem litteralmente.

O primeiro traduz:--_sepe pergens_ contra _Sidan_ etc.--por--_e muitas
vezes venceu ao Soldam_,--o que  duplamente falso. Como j observei,
iniciou o erro de ler--_Suldani_,--onde, clara e rasoavelmente,
est:--_Sidan_--.

Cunha, que restitue a _era_ exacta de 1209, antecede-a pela
formula:--_Em nome de Christo_,--que l no est, e acrescenta a
filiao do Rei Affonso:--_filho do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona
Tareja_--. No contente com isto, traduz que: _quando Escalona foi
tomada, elle foi alli prestes e prompto_;--pe Galdino em Antiochia
pelejando muitas vezes--_contra o poder do Soldo_;--augmenta a
enumerao dos castellos com o de--_Cardiga_,--supprimindo o
de--_Monsanto_,--e alonga, finalmente, a inscripo com as seguintes
palavras:--_Era 1209 annos. Mestre Gualdim, nascido em Braga, que he
cabea de Galisa, edificou este Castello de Almorol com os freires seus
irmos_--.

Bastam estes exemplos. Como  sabido, a inscripo est n'uma grande
lapide de marmore sobre o arco da chamada Sacristia Velha do convento de
Christo de Thomar, para onde foi transferida, do castello de Almorol,
segundo a tradio, no tempo e por ordem do Infante Dom Henrique.

 claro que no havemos de fazer, agora e aqui, a biographia de Mestre
Gualdino ou Gualdim ou Galdino Paes. N'esse ponto,  justo louvar as
diligencias e os trabalhos de Costa (_Historia da Ordem_, etc.) e de
Viterbo (_Elucidario_), que reuniram interessantissimos documentos sobre
o Templario portuguez. Segundo o primeiro, Galdino nasceu em 1118 e
morreu em 1195. Era filho de Payo Ramires e de D. Gontrade Soares, nomes
que denunciam uma origem visigoda. Pelo pae, era bisneto de Ayres
Carpinteiro que lhe trazia uma bella tradio de fidalguia authentica.

N'um velho livro de linhagens anda dispersamente registada esta
prosapia:


--Este Ayres Carpinteiro onde (d'onde) vem os Ramiros foi casado com
Amiana de Selharis e de Tevora e fege nella Ramiro Ayres...


Ramiro casou com Orraca Peres, filha de Gontinha Eres e de Dom Pedro
Affonso de Doreas--que fez Manhente,--e o seu primogenito foi Dom Payo
Ramires. Casou Dom Payo, a primeira vez, com Dona Orraca de Caldelas de
Galiza, de quem teve o alcaide Dom Vasco Paes,--e desque morreu esta
mulher a D. Payo Ramires casou com a irman de D. Payo Correa o _Velho_ e
fege nella o mestre D. Gualdim Paes do Templo e D. Gomes Paes de Piscos:
e este mestre D. Gualdim Paes fez Tomar e Pombal e Castelo de Almoyrol e
poboou outros muitos logares que ganhou  ordem, e foi muito forte em
armas e leixou ao Templo o que agora ha, e em Abelamar (talvez em
_alem-mar_).

Goes, que gostmos sempre de consultar n'estas historias, no parece ter
encontrado nos Paes, do seu tempo, pelo menos, uma genealogia muito
antiga, pois que abre o titulo com Payo Rodrigues que--foi um
cavalleiro muito honrado em tempo delRei Dom Affonso o quinto, e foi
filho de Pedro Esteves, Alcaide Mr de Portel--. So outros,
evidentemente. Tambem da semente d'elle, como dizem os geneologos, no
seria facil haver noticia, espalhada, como ficaria, clandestina ou
ganceira, pela Syria e pelo Ribatejo, nas aventuras e desmandos das
campanhas do Templario.

Segundo Cunha, nasceu o Mestre em Braga e--n'ella se conserva ainda
hoje uma rua com o nome de D. Gualdim, em que  tradio que nasceu--.

Corrigem outros, observando que alli fra Procurador ou Mestre da Casa
do Templo, que l existira,--o que  demonstrado por um documento citado
no _Elucidario_ de Viterbo,--mas que em Marecos, depois Amaraes e hoje
Amares, a 10 kilometros de Braga,  que realmente nascera o Mestre, que
fra at o primeiro a usar e a nobilitar o titulo de Marecos, da herdade
que foi o nucleo da povoao.

Convem dizer, pois que no tem sido dito at hoje, que outro velho
codice geneologico pe uma sombra de duvida n'esta gloria da pequena
povoao minhota, dizendo, um tanto obscuramente:--E o meestre dom
galdim paez do tempre e seu irmao _forom naturaaes dapardar de braa_.
Mas sendo justa a hesitao na leitura indicada na compilao da
Academia (_Port. monum. hist._), no ser talvez muito aventuroso
ler:--_da par de Braga_,--restituindo  antiga Marecos, o seu Templario.
E j agora avivemos o registo de um pequeno episodio que n'esta altura
nos offerece esse codice.

Uma neta do irmo de Galdino:--Dona _Estevaynha_ ou Estevaninha Paes
casou com Dom Martim Annes de Riba da Visella, neto, pela me, de um
grande fidalgo Dom Soeiro Mendes o Gordo que a tivera de uma barregan e
que fazendo-a herdeira--mui bem e mui compridamente em seus beens--a
casra com Dom Joo Fernandes de Riba da Vizella.

Diz ento o codice:--E este meestre dom galdim paaez do tempre fez
muyto bem e deu grandalgo a este dom Martim Annes de riba davizela
quando casou com esta dona steuaynha paaz sobredita.

Martim Annes foi--mui priuado delRei dom afonso de portugal, filho
delRei dom sancho o uelho.

Por ordem do Rei foi cercar a irm d'este, a Infanta Dona Thereza, a
Montemr o Velho, e derrotado, cahiu n'um paul entre aquella villa e
Coimbra. Quando lhe acudiram:--non se pode sofrer que non morese do
sangui que del tirarom as ameugas.

D, ainda, uma tradio constante, e parece confirmar a inscripo de
Thomar, que Galdino fra creado na crte do primeiro Rei portuguez, e
por elle armado cavalleiro na batalha de Ourique, em 1139.  smente dez
ou mais annos depois d'esta data, que nos apparece nos documentos, e j
como Templario graduado, consequentemente depois do seu regresso do
Oriente.

Segundo Cunha e os diplomas reunidos por elle, seria, at, smente na
era de 1199, correspondente ao anno de 1161, que pela primeira vez nos
appareceria como Mestre, na doao que lhe faz o Rei:--_tibi Magistro
Gualdino_,--de certas herdades cultivadas e por cultivar junto de
Cintra; mas Santa Rosa de Viterbo (_Elucidario_) encontra-o muito antes,
em 1148, figurando como _Mestre_ da Casa Templaria de Braga, n'uma
concordata feita com esta, e em 1157 como _Mestre_ absoluto ou Geral dos
Templarios em Portugal, succedendo a Dom Pedro Arnaldo, que abdicou
n'esse anno e morreu no seguinte. Ter Viterbo lido bem aquella primeira
data? A interrogao parecera impertinente em relao ao erudito
investigador, se um facto muito positivo a no auctorisasse. Esse facto
 a tomada de Ascalonia, expressamente indicada na inscripo. Essa
tomada,  claro que no foi a de Saladino aos christos, que s se
realisou em 1187. Foi a dos christos aos turcos. Estava l, ento,
Galdino; isto , estava no Oriente em 1153, que  a data d'esta
conquista. (Michaud, _Hist. des Croisades_, t. II.)

Estava, e demorou-se ainda. Estando em 1157 em Portugal, e sendo feito,
ento, Mestre geral dos Templarios Portuguezes, partiria em 1152, ou
pouco antes, mas j partiria, ento, como templario graduado, se 
verdadeira a data de 1148, attribuida por Viterbo  concordata de Braga,
o que, de resto, no repugna inteiramente  inscripo.

Inclinamo-nos a crer que foi realmente em 1157 que Galdino voltou, sendo
ento elevado ao cargo de Mestre geral, ou, como a inscripo diz:--de
Procurador do Templo, em todo o Portugal, tendo partido, como simples
Mestre da Casa de Braga, em 1152, ou pouco antes.

Dos castellos alludidos na inscripo, dois,--o de Idanha e o de
Monsanto,--so-lhe doados em 29 de novembro da era de 1203 (1165),
chamando-se-lhe tambem Mestre:--_vobis Magistro Gualdino_--.

A ideia vulgar da hierarchia monastico-militar pde parecer
extraordinario que elle seja designado simplesmente como _Procurador_,
em outubro da era de 1207 (1169), quando lhe so doados, e  Ordem, os
castellos de Zezere, de Thomar, e ainda o de Cardiga--com todas as
herdades que alli fizeste e rompeste--devendo notar-se que n'esse mesmo
anno como tal se apellida tambem, na doao:--de toda a tera parte que
pela graa de Deus poderem adquirir e povoar desde o rio Tejo por
deante--para o sul,  claro, aos--cavalleiros chamados do Templo de
Salomo--nas pessoas dos de Portugal e de--_vobis Fratri Gualdino in
Portugalia rerum Templi Procuratori_--.

Mas esta qualidade de _Procurator_, referida  gerencia regional ou
provincial dos diversos agrupamentos da Ordem, no era inferior, e muito
menos incompativel, com a categoria de _Magister_, a bem dizer a de
Superior de cada Casa ou Commenda, com tendencias para substituir
aquella pela separao das diversas communidades nacionaes.

No foi Galdino o unico _cruzado_ portuguez; mas  dos raros cujos nomes
se apuram. Se das suas faanhas no Oriente resa smente a inscripo,
outros e diversos documentos a corroboram brilhantemente na historia
patria.




XI


[Figura: Claustro da s de Lisboa.]




Leitura:


     --_Esta sepultura  de dona (?) Ignez Eannes, sobrinha de Vicente
     Domingues Bolho_.


Tem um certo interesse de occasio esta inscripo modestissima, agora
que vae celebrar-se o centenario de Santo Antonio de Padua, mais
propriamente: de Lisboa. _Bolhes_ eram a familia d'elle. Vicente Bulho
se chamou o av, ou, melhor, Vicente Martins _dito o Bulho_, o que
devia desconcertar um pouco os genealogistas, no esforo de engrandecer
e nobilitar a alcunha que se tornou patronymico:--_Vicenti Martinii
dicti Bulhon_,--segundo a nota obituaria que elles encontraram--no
livro de mo da Kalenda da S antiga de Lisboa.

D'este Vicente, veiu Martim Bulho,--_Martinus Bulhon_, resava a mesma
nota,--que, desposando Theresa Taveira, teve os seguintes filhos:

--Pedro Martins de Bulho, do qual, nota semelhante  citada, dizia:--_6
nonas julii obiit Petrus Martinii dictus de Bulhon_,--tendo vivido na
primeira metade do seculo XIII; d'elle procedeu um personagem
relativamente illustre, o confessor da Rainha Santa, capello de Dom
Diniz e lente de theologia da Universidade: Dom Domingos Martins, conego
de Santa Cruz.

--Ferno Martins de Bulho, o nosso futuro Santo Antonio;

--Vicente Martins de Bulho;

--Feliciana Martins Taveira;

--Maria Martins Taveira, freira, que morreu tambem com ares de
santidade, em 18 de fevereiro de 1240.

Mas  claro que o Vicente da inscripo no  nem o primeiro nem o
segundo. , porm, da familia, neto de um ou bisneto do outro, segundo
Monterroyo.

Teve duas irms Vicente Domingues, que casaram fidalgamente: uma, Dona
Sancha Martins Bulho, com Dom Soeiro Fernandes Alam, que viveu no tempo
de Dom Affonso III e Dom Diniz, e com o qual se orgulham os Soares de
Albergaria; a outra, Dona Dordia, que foi mulher de Pedro Martins
Botelho, de Riba de Vizella, e depois de Reymondo,--como quem diz
Raymundo,--de Portocarrero.

Mas nenhuma d'estas senhoras parece ter-nos dado a Ignez da inscripo,
cuja paternidade modestamente se escondeu na prosapia do tio, especie de
conservador ou agente official dos negocios das colonias extrangeiras em
Lisboa.

Uma Ignez se encontra, proximamente, na familia; mas  Ignez Dias
Bulho, procedente da gerao da Dona Dordia, e que Dona Leonor Telles,
a rainha bigama, considerava sua parente.

Temos, pois, de nos contentar com o facto do tio nos authenticar a
antiguidade da inscripo, que obsequiosamente nos forneceu o estudioso
e dedicado secretario da _Arte Portugueza_, sr. D. Jos Pessanha.




XII


[Figura: Thomar. Igreja de Santa Maria dos Olivaes, na parede da segunda
capella,  direita.]




Leitura:


     --_Obiit frater gvaldinvs magister militum templi portugalie E.
     MCCXXXIII, III.^o idvs octobris. Hic castrvm Tomaris cum multis
     aliis popvlauit. Requiescat in pace. Amen._


Verso:


     --_Morreu Frei Galdino, Mestre dos Cavalleiros do Templo em
     Portugal, na era de 1233, terceiro dos idos de outubro. Este
     castello de Thomar, com muitos outros, povoou. Descance em paz.
     Amen._


No movimento, um pouco desordenado, diga-se de passagem, das celebraes
apotheosicas, centenaes ou no, que ultimamente se tem manifestado entre
ns, pensaram alguns cavalheiros de Thomar em promover uma que
attrahisse as attenes e a concorrencia de forasteiros  formosa cidade
do Nabo, bem digna realmente de ser mais conhecida e visitada. Tiveram,
ento, a feliz ida de tomar por thema o nome e a memoria do valente
Templario portuguez, Galdino Paes, to deploravelmente esquecido tambem,
e de quem pde dizer-se que foi, alem de fundador de Thomar, um dos mais
intrepidos e persistentes cooperadores da fundao de Portugal.

Sob aquella ida se reanimou o empenho do meu amigo e distincto
director-professor da Escola Industrial d'aquella cidade, sr. Manuel
Henrique Pinto, de encontrar a jazida dos restos do glorioso Templario.
Aproveito a occasio para dizer, com reconhecimento, que o sr. Pinto tem
sido o meu mais dedicado e caloroso auxiliar n'esta colheita de _calcos_
de inscripes portuguezas. Honra lhe seja, que n'isso no  a mim, mas
 Historia e ao paiz, que presta um bello servio.

Obtendo licena para sondar as paredes d'aquella interessantissima e
vetusta igreja de Santa Maria do Olival ou dos Olivaes, que por si dava
assumpto para uma soberba monographia sobre a historia da architectura
nacional, o sr. Pinto, com dois amigos egualmente interessados n'esta
pesquiza, comeou-a e teve a fortuna de, s primeiras tentativas,
encontrar a pedra (naturalmente um dos lados do sarcophago), em que
est, nitida e graciosamente cavada a inscripo de que tirou e me
enviou o magnifico _calco_, em poucos minutos reproduzido pelo lapis
primoroso e firme de Casanova. Como se v, a inscripo no offerece
hesitaes ou duvidas de leitura ou de contemporaneidade, esta ultima
perfeitamente flagrante, para quem conhece a epigraphia tumular do
tempo, com as suas cruzes espalmadas (_pattes_) iniciaes, com as
maiusculas oscillando entre o romano e o gothico, com o seu _pautado_,
at com a sua redaco dos velhos obituarios e livros de calendas,
monasticos. L-se ao primeiro relance. Que o til ou plica que ornamenta
um dos XX da _era_, no suggira reparo. Tem o mesmo valor que os do _e_
(era), do _m_ (mil) ou dos _cc_ (duzentos): isto , nenhum tem. O
Viterbo do _Elucidario_ j advertiu esta especie de mau habito
decorativo, inconsciente.

A _era_  indiscutivelmente a de 1233, correspondente ao anno de Christo
de 1195. Sempre se lucrou, com a ida do centenario, ficarmos
definitivamente sabendo que o grande Templario morrra em 1195, a 13 de
outubro. Teria ento setenta e sete annos, se tambem acertou Costa
(_Hist. da Ord._), quando o d nascido em 1118. Cedo fizera Galdino a
sua iniciao de Cavalleiro do Templo nas longinquas campanhas da Syria;
mas, por mais cedo que n'aquelles tempos se fosse homem,  claro que
andam erradas algumas datas das suas doaes e fundaes. Apparecer-nos
elle como Mestre,--_tibi Magistro Gualdino_,--em 1161, isto , aos
quarenta e tres annos, na doao das casas e herdades cultivadas e por
cultivar junto de Cintra, no repugna, comtudo.

Em 1169, isto , aos cincoenta e um,  que recebe toda a tera parte que
podr adquirir e povoar desde o Tejo por deante, em doao a Deus e aos
cavalleiros chamados do Templo de Salomo, como Procurador d'elle em
Portugal:--_vobis Fratri Galdino in Portugal rerum Templi
Procuratori_,--e mais os castellos da foz do Zezere, de Cardiga, e o de
Thomar, com todas as herdades--que fizestes e rompestes. J
anteriormente, em 1165, lhe haviam sido doados,--_vobis magistro
Gualdino_,--e  Ordem, os castellos de Idanha e de Monsanto, e antes
ainda, seguramente,--aquelle castello que se chama Ceras--e a Redinha.
Rigorosamente, estas doaes no eram mais que as confirmaes reaes das
fundaes, das conquistas e das exploraes agricolas, com que o activo
Templario e os seus freires iam acrescentando e consolidando, dia a dia,
a patria christ e portugueza.




XIII


[Figura: Portalegre; Convento de S. Bernardo (seminario), na casa do
capitulo (arruinada). Lapide de marmore, com a figura de uma abbadessa
esculpida e em volta a inscripo.]




Leitura:


     --_Aqui jaz Dona Branca de Vasconcellos, a primeira abbadessa que
     foi d'este mosteiro, a qual ensinou as mo(n)jas d'elle, do comeo
     de suas profisses. E falleceu aos 23 dias do mez de outubro de
     1537._


Seria uma das filhas de Joo Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos?

Diz Goes:


--Joo Roiz Ribeiro de Vasconcellos, filho d'este Ruy Vaz, foi senhor da
Casa de seu pae, e foi casado com _Dona Branca_ de Meneses, filha de Ruy
Gonalves da Silva, Alcaide Mr de Campo Maior e Ouguella, de quem
houve... _e outras que so freiras_.





End of Project Gutenberg's Inscripes portuguezas, by Luciano Cordeiro

*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPES PORTUGUEZAS ***

***** This file should be named 28348-8.txt or 28348-8.zip *****
This and all associated files of various formats will be found in:
        http://www.gutenberg.org/2/8/3/4/28348/

Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was
produced from images generously made available by National
Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)


Updated editions will replace the previous one--the old editions
will be renamed.

Creating the works from public domain print editions means that no
one owns a United States copyright in these works, so the Foundation
(and you!) can copy and distribute it in the United States without
permission and without paying copyright royalties.  Special rules,
set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to
protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark.  Project
Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
charge for the eBooks, unless you receive specific permission.  If you
do not charge anything for copies of this eBook, complying with the
rules is very easy.  You may use this eBook for nearly any purpose
such as creation of derivative works, reports, performances and
research.  They may be modified and printed and given away--you may do
practically ANYTHING with public domain eBooks.  Redistribution is
subject to the trademark license, especially commercial
redistribution.



*** START: FULL LICENSE ***

THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE
PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK

To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free
distribution of electronic works, by using or distributing this work
(or any other work associated in any way with the phrase "Project
Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project
Gutenberg-tm License (available with this file or online at
http://gutenberg.net/license).


Section 1.  General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm
electronic works

1.A.  By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm
electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to
and accept all the terms of this license and intellectual property
(trademark/copyright) agreement.  If you do not agree to abide by all
the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy
all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession.
If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project
Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the
terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or
entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8.

1.B.  "Project Gutenberg" is a registered trademark.  It may only be
used on or associated in any way with an electronic work by people who
agree to be bound by the terms of this agreement.  There are a few
things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
even without complying with the full terms of this agreement.  See
paragraph 1.C below.  There are a lot of things you can do with Project
Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
works.  See paragraph 1.E below.

1.C.  The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
Gutenberg-tm electronic works.  Nearly all the individual works in the
collection are in the public domain in the United States.  If an
individual work is in the public domain in the United States and you are
located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
are removed.  Of course, we hope that you will support the Project
Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
the work.  You can easily comply with the terms of this agreement by
keeping this work in the same format with its attached full Project
Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.

1.D.  The copyright laws of the place where you are located also govern
what you can do with this work.  Copyright laws in most countries are in
a constant state of change.  If you are outside the United States, check
the laws of your country in addition to the terms of this agreement
before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
creating derivative works based on this work or any other Project
Gutenberg-tm work.  The Foundation makes no representations concerning
the copyright status of any work in any country outside the United
States.

1.E.  Unless you have removed all references to Project Gutenberg:

1.E.1.  The following sentence, with active links to, or other immediate
access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
copied or distributed:

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.net

1.E.2.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
and distributed to anyone in the United States without paying any fees
or charges.  If you are redistributing or providing access to a work
with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
1.E.9.

1.E.3.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
with the permission of the copyright holder, your use and distribution
must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional
terms imposed by the copyright holder.  Additional terms will be linked
to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
permission of the copyright holder found at the beginning of this work.

1.E.4.  Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm
License terms from this work, or any files containing a part of this
work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.

1.E.5.  Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
electronic work, or any part of this electronic work, without
prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
active links or immediate access to the full terms of the Project
Gutenberg-tm License.

1.E.6.  You may convert to and distribute this work in any binary,
compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
word processing or hypertext form.  However, if you provide access to or
distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than
"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version
posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.net),
you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a
copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon
request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
form.  Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
License as specified in paragraph 1.E.1.

1.E.7.  Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works
unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.

1.E.8.  You may charge a reasonable fee for copies of or providing
access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
that

- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
     the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
     you already use to calculate your applicable taxes.  The fee is
     owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
     has agreed to donate royalties under this paragraph to the
     Project Gutenberg Literary Archive Foundation.  Royalty payments
     must be paid within 60 days following each date on which you
     prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
     sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
     address specified in Section 4, "Information about donations to
     the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."

- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
     you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
     does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
     License.  You must require such a user to return or
     destroy all copies of the works possessed in a physical medium
     and discontinue all use of and all access to other copies of
     Project Gutenberg-tm works.

- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
     money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
     electronic work is discovered and reported to you within 90 days
     of receipt of the work.

- You comply with all other terms of this agreement for free
     distribution of Project Gutenberg-tm works.

1.E.9.  If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
your equipment.

1.F.2.  LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
liability to you for damages, costs and expenses, including legal
fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

1.F.3.  LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
