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deve ser adoptada nas escolas e publicaes oficiais, by Anonymous

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Title: Bases para a unificao da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e publicaes oficiais

Author: Anonymous

Release Date: March 20, 2009 [EBook #28364]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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     *Nota de editor:* Devido  existncia de erros tipogrficos
     neste texto, foram tomadas vrias decises quanto  verso
     final. Em caso de dvida, a grafia foi mantida de acordo com
     o original. No final deste livro encontrar a lista de erros
     corrigidos.

                                              Rita Farinha (Mar. 2009)




MINISTRIO DO INTERIOR

DIRECO GERAL DE INSTRUO SECUNDRIA, SUPERIOR E ESPECIAL

1.^a REPARTIO



BASES PARA A UNIFICAO DA ORTOGRAFIA

QUE DEVE SER ADOPTADA NAS ESCOLAS E PUBLICAES OFICIAIS


RELATRIO DA COMISSO


NOMEADA POR

PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911

NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR



LISBOA

IMPRENSA NACIONAL

1911




MINISTRIO DO INTERIOR

DIRECO GERAL DE INSTRUO SECUNDRIA, SUPERIOR E ESPECIAL

1.^a REPARTIO



BASES PARA A UNIFICAO DA ORTOGRAFIA

QUE DEVE SER ADOPTADA NAS ESCOLAS E PUBLICAES OFICIAIS


RELATRIO DA COMISSO


NOMEADA POR

PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911

NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR


PREO 50 RIS


LISBOA

IMPRENSA NACIONAL

1911




Imprensa Nacional de Lisboa--Gabinete da Reviso.--Ex.^{mo} Sr.--Julgo
do meu dever chamar a ateno de V. Ex.^a para o que passo a expor.

As publicaes sadas da Imprensa Nacional, quer oficiais, quer de
particulares, apresentam grafias diferentes, umas discutveis, outras
porm grosseiras e vergonhosas. O prprio _Dirio do Govrno_, que
deveria ter ortografia uniforme, emprega diversas, conforme o capricho
de quem envia os originais, geralmente pessoas indoutas.

Tais variedades de grafias trazem para a Imprensa no s descrdito mas
tambm prejuzos pecunirios, porquanto a composio de todos os
diplomas sados no _Dirio_ tem de transitar para outras publicaes
peridicas, tais como _Boletins_, _Ordens_, _Separatas_, etc., sofrendo
ento cada um dsses diplomas mais emendas, ao sabor de quem tem de lhes
fazer nova reviso.

Tantas emendas, alm de estabelecerem confuso no espirito do
compositor, avolumam de uma maneira assombrosa a despesa da composio,
e impedem a rapidez na impresso pelo muito tempo que se perde a fazer
alteraes.

Com esta anarquia ortogrfica os compositores hesitam e cometem novos
erros, e aos revisores se torna tambm impossvel fixar, para cada obra,
as divergncias de tanta grafia.

Urge, portanto, acabar com ste estado de cousas. Fcil me parece o
remdio. Se cada qual se tem julgado at aqui com direito a impor a sua
maneira de escrever, porque razo o Govrno da Repblica no ha de impor
tambm a sua, e no que  seu?

Sujeite, pois, o Govrno a uma nica ortografia todas as publicaes
oficiais ou por le subsidiadas.

E qual dever ser essa ortografia?

Em meu entender dever adoptar-se a que no seu livro A ORTOGRAFIA
NACIONAL preconiza a maior autoridade no assunto, o doutssimo fillogo
Gonalves Viana. Essa obra tem o aplauso de todos os que modernamente se
tem dedicado ao estudo profundo da scincia da linguagem; e a ortografia
simplificada defendida naquele livro  j seguida por grande nmero de
professores e escritores de valor, e adoptada em muitos livros
escolares, revistas, etc.

Desnecessrio se torna, pois, encarecer as vantagens da adopo de um
nico sistema ortogrfico a quem, como V. Ex.^a, de sobejo as conhece e
aprecia. Pelo lado econmico tem a Imprensa muito a ganhar. Tampouco 
para desprezar o louvor que a V. Ex.^a caber por contribuir, com a
adopo da ortografia simplificada, para a maior facilidade no ensino da
leitura da nossa bela lngua.

Expondo, embora imperfeitamente, a minha opinio acrca do que julgo ser
melhoramento de um dos servios da Imprensa, confio em que V. Ex.^a se
dignar tomar na devida considerao o alvitre que neste oficio ouso
apresentar a V. Ex.^a.

Lisboa, 17 do Dezembro de 1910.--Ex.^{mo} Sr. Lus Carlos Guedes
Derouet, Dignssimo Administrador Geral da Imprensa Nacional.--_Jos
Antnio Dias Coelho_, chefe do servio da reviso.


       *       *       *       *       *


Imprensa Nacional de Lisboa--Administrao Geral--N.^o 238.--Tenho a
honra de levar ao conhecimento de V. Ex.^a o oficio que recebi do chefe
do servio da reviso, relativamente  necessidade de se adoptar uma
ortografia uniforme nos trabalhos desta Imprensa e principalmente no
_Dirio ao Govrno_.

Estou perfeitamente de acrdo com as consideraes que faz o aludido
funcionrio, pois que no pode nem deve continuar a anarquia que
presentemente existe. Embora o problema ortogrfico no se resolva por
completo de momento, pelo menos que nos trabalhos oficiais se mantenha a
uniformidade.

Chamo para o facto a devida ateno de V. Ex.^a, certo de que o assunto
lhe merecer toda a solicitude.

Sade e Fraternidade.

Lisboa, 14 de Janeiro de 1911.--Ex.^{mo} Sr. Director Geral da Instruo
Secundria, Superior e Especial.--O Administrador Geral, _Lus Derouet_.


       *       *       *       *       *


Ministrio do Interior--Direco Geral da Instruo Secundria, Superior
e Especial.--1.^a Repartio.--O Govrno Provisrio da Repblica
Portuguesa, atendendo ao que lhe foi representado pelo Administrador
Geral da Imprensa Nacional, no sentido de serem tomadas providncias
tendentes a uniformizar a ortografia oficial, por forma a evitar que nas
publicaes emanadas daquele estabelecimento do Estado continuem a
adoptar-se, paralelamente, as mais desencontradas formas ortogrficas;

Conformando-se com o parecer da seco permanente do Conselho Superior
de Instruo Pblica:

Manda, pelo Ministro do Interior, que seja nomeada uma comisso,
composta de D. Carolina Michalis de Vasconcelos, Aniceto dos Reis
Gonalves Vana, Antnio Cndido de Figueiredo, Francisco Adolfo Coelho
e Jos Leite de Vasconcelos, encarregada de fixar as bases da ortografia
que deve ser adoptada nas escolas e nos documentos e publicaes
oficiais, e bem assim de organizar uma lista ou vocabulrio das palavras
que possam oferecer qualquer dificuldade quanto  maneira como devem ser
escritas.

Paos do Govrno da Repblica, em 15 de Fevereiro de 1911.--O Ministro
do Interior, _Antnio Jos de Almeida_.


            (_Dirio do Govrno_ n.^o 39, de 17 de Fevereiro de 1911).


       *       *       *       *       *

Ministrio do Interior--Direco Geral da Instruo Secundria, Superior
e Especial--1.^a Repartio.--Manda o Govrno Provisrio da Repblica
Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que  comisso encarregada de
uniformizar a ortografia oficial, nomeada por portaria de 15 de
Fevereiro ltimo, sejam agregados os seguintes vogais: Dr. Antnio Jos
Gonalves Guimares, Dr. Antnio Garcia Ribeiro de Vasconcelos, Augusto
Epifnio da Silva Dias, Jlio Moreira, Jos Joaquim Nunes e Manuel
Borges Grainha.

Paos do Govrno da Repblica, em 16 de Maro de 1911.--O Ministro do
Interior, _Antnio Jos de Almeida_.


                (_Dirio do Govrno_ n.^o 64, do 20 de Maro de 1911).


       *       *       *       *       *


Mistrio do Interior--Direco Geral da Instruo Secundria, Superior e
Especial--1.^a Repartio.--Conformando-se com o parecer da comisso
encarregada, por portaria de 15 de Fevereiro de 1911, de estabelecer as
bases para a unificao da ortografia que deve ser adoptada nas escolas
e nos documentos e publicaes oficiais:

Manda o Govrno da Repblica Portuguesa, pelo Ministro do Interior:

1.^o Que o relatrio da referida comisso seja publicado no _Dirio do
Govrno_, devendo ser para o futuro adoptada em todas as escolas, e bem
assim nos documentos e publicaes oficiais, a ortografia proposta pela
comisso;

2.^o Que se d a tolerncia mxima de trs anos, a contar da data da
publicao da presente portaria, para a conservao das grafias
existentes nos livros didcticos actualmente em uso, a fim de no
prejudicar os respectivos autores ou editores;

3.^o Que se promova a rpida organizao e publicao, pelo preo mais
mdico possvel, de um vocabulrio ortogrfico e de uma cartilha,
especialmente destinada a vulgarizar e exemplificar o sistema de
ortografia adoptado;

4.^o Que a comisso nomeada por portaria de 15 de Fevereiro de 1911
continue em exerccio pelo tempo que se julgar conveniente, a fim de ser
ouvida sobre quaisquer dvidas que se suscitem relativamente  execuo
da reforma proposta, podendo a referida comisso renir-se por
iniciativa prpria, ou convocada pela Direco Geral da Instruo
Secundria, Superior e Especial, por intermdio da qual sero feitas
quaisquer reclamaes sbre o assunto.

Paos do Govrno da Repblica, em 1 de Setembro de 1911.--O Ministro do
Interior, _Antnio Jos de Almeida_.


             (_Dirio do Govrno_ n.^o 206, de 4 de Setembro de 1911).




                            Ex.^{mo} Sr. Ministro do Interior:


A Comisso, nomeada por portaria de 15 de Fevereiro do corrente ano para
fixar as bases da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e nos
documentos oficiais e outras publicaes feitas por conta do Estado, vem
hoje apresentar a V. Ex.^a os resultados do estudo a que procedeu, bem
como as decises que, por grande maioria ou por unanimidade de votos dos
indivduos que a compem, entendeu ser oportuno propor, tomando por
elementos principais dessas decises a histria da lngua portuguesa, e
a da sua escrita tradicional at poca muito recente.

Logo na sesso inaugural, celebrada em 15 de Maro ltimo, julgou a
Comisso que seria vantajoso para a absoluta independncia e
imparcialidade das suas resolues, como corpo consultivo, propor a
agregao de mais alguns conhecidos fillogos portugueses; e essa
convenincia reconheceu-a V. Ex.^a nomeando, por portaria de 16 do
referido ms, alm dos indivduos j anteriormente nomeados, mais seis;
ficando a Comisso composta de onze pessoas, uma das quais, porm, o
Professor Augusto Epifnio da Silva Dias, se escusou, declinando o
encargo. Ficou assim a Comisso constituda por dez membros, e, em razo
de ser par ste nmero, teve o presidente eleito por ela de resolver com
voto de desempate algumas questes de secundria importncia, em que
divergiram as opinies, expressas depois de discusso por votaes
diferentes, equivalentes em nmero.

Quatro dos membros da Comisso, isto , a Sr.^a D. Carolina Michalis de
Vasconcelos, que a Comisso elegeu Presidente honorria, os Drs. Antnio
Jos Gonalves Guimares e Antnio Garcia Ribeiro de Vasconcelos, e o
Professor Jlio Moreira, no puderam comparecer s sesses semanais, em
razo de residirem longe de Lisboa, localidade em que a Comisso se
reuniu: foram porm sempre consultados em todas as questes em que no
houve unanimidade de votos por parte dos indivduos presentes; havendo
sido os votos dsses ausentes tomados em considerao, e dando-se-lhes
oportuno conhecimento das resolues adoptadas pelos membros presentes
s sesses, que no foram mais amiudadas, porque outras funes oficiais
dos membros da Comisso o no permitiram, e assim se explica a relativa
morosidade dos seus trabalhos.

Logo nas duas primeiras sesses foi unnime o parecer de, seguindo-se
uma tendncia j manifestada no esprito pblico, se simplificarem as
grafias correntes, entre si contraditrias, regularizando-as em
obedincia ao princpio capital de simplificao. Por proposta,
unnimemente aprovada, do Presidente adoptou-se para base da discusso o
Questionrio ortogrfico em tempos apresentado por um dos seus membros 
Academia das Scincias de Lisboa, e pela mesma Academia mandado imprimir
na sua tipografia, em 1902, com as respostas do autor dsse
Questionrio, em um volume de 183 pginas, cujo ttulo  AS ORTOGRAFIAS
PPRTUGUESAS. Esta obra foi ao depois reeditada pelo referido autor em
outro volume, acrescentada e com maior cpia de abonaes e diferente
economia de texto, volume que  do conhecimento do pblico e se intitula
ORTOGRAFIA NACIONAL. Teve a Comisso igualmente em ateno o VOCABULRIO
ORTOGRFICO E ORTOPICO DA LNGUA PORTUGUESA, ainda do mesmo autor,
impresso em Lisboa no ano passado, e no qual o sistema ortogrfico dsse
autor se encontra larga e minuciosamente exemplificado. Pode le, com
efeito, ser desde j utilizado, emquanto outro se no publique, em que
as pequenas alteraes, que sofreram os princpios em que se baseou,
sejam includas e atendidas de preferncia na seqncia alfabtica dos
vocbulos.

Poucas e de pequena importncia relativa foram as modificaes que a
Comisso entendeu conveniente que se fizessem no sistema ortogrfico ali
proposto e seguido, e essas foram adoptadas para que le ficasse mais em
harmonia com modos de escrever que, conquanto menos conseqentes, se
tornaram j, a bem dizer, habituais; e tais modificaes em preceitos,
que o autor daquelas obras defendera com razes histricas cuja valia a
Comisso reconheceu, tiveram por causa o considerar a Comisso que
alguns dles eram em demasia prematuros, e um ou outro j extemporneo,
em virtude de usos ortogrficos radicados e que se no devem considerar
absolutamente como erros scientficos.

Teve pois a Comisso em ateno que a estranheza, que poderiam ocasionar
no pblico certas innovaes ou renovaes grficas, no viesse
prejudicar a aceitao dos demais preceitos, que parecero a todos
exeqiveis.

O autor, membro da Comisso, concordou com todas essas modificaes, e
votou com a maioria da Comisso em todas elas.  primeira espcie
pertencem a manuteno do _h_ inicial, de _ge_, _gi_, mediais de
vocbulos, em concorrncia com _je_, _ji_, e todos os valores actuais
dados  letra _x_, que o mesmo autor reduzira a dois nicos, o inicial,
como em _xadrez_, e o do prefixo _ex-_ valendo por _eis_ ou _is_, como
em _expor_, _exrcito_, etc. Os preceitos da segunda espcie, que, se
bem que perfeitamente motivados nas propostas do autor do Questionrio,
a Comisso julgou j de h muito fora do uso comum, so principalmente o
emprgo de __ inicial, e o do _z_ final, com o valor actual de _s_, em
slaba tona, que sobretudo figura na ltima slaba de muitos nomes
patronmicos, como _Gonlvez_, _Nnez_, que presentemente se escrevem
_Gonalves_, _Nunes_, com _-es_, em oposio  sua etimologia, a
desinncia latina _ici_, de genetivo. Esses nomes e vocbulos, como
_ourives_, _simples_, _mesquinho_, continuaro pois a escrever-se com
_s_ final de slaba, na ortografia comum.

Entendeu tambm a Comisso que seria inoportuno suprimir o _s_ inicial
do grupo _sce_, _sci_, que figura etimolgicamente em algumas palavras,
tais como _scincia_, _scetro_, _scptico_, _scelerado_, _scena_,
_sciso_, _scisma_ e seus derivados e afins, principalmente, com relao
ao primeiro dstes vocbulos, porque no sul de Portugal se profere sse
_s_ separado do _c_, em formas compostas, como _prescincia_,
_conscincia_, _inscincia_, _cnscio_, etc. Comparem-se tambm
_en(s)cenao_, e _proscnio_, com _s_ proferido ste ltimo.

Quais so as bases da ortografia portuguesa que a Comisso prope?

Havia, logo desde o incio dos trabalhos, dois sistemas a que se
atendesse, um dles a ortografia francesa, que, mais ou menos
coerentemente se tem h certo tempo imitado em Portugal; o outro, as
ortografias espanhola e italiana, muito mais simples, racionais, lgicas
e fceis de aprender, muito mais conformes com a evoluo natural e
mesmo literria dsses idiomas, em muitos pontos anloga  do portugus.
O que radicalmente diferena a ortografia dsses dois idiomas oficiais,
e bem assim as de outros congneres entre si, com les e com o nosso,
falados quer em Espanha, quer em Itlia,  a modificao da ortografia
latina dos inmeros vocbulos gregos romanizados, para outras mais
conformes com o valor das letras de tais vocbulos nessas lnguas
modernas.

Facilitando o ensino da leitura e da escrita, a Comisso julgou que j
era tempo de se desterrarem por uma vez da escrita portuguesa, como h
muito o esto da espanhola e da italiana, para no mencionar as de
outros idiomas mais desviados do latim, os smbolos _ph_, _th_, _rh_, e
_y_, por _f_, _t_, _r_, _i_, e o _ch_ com o valor de _k_, o qual ficar
substitudo por _qu_ antes de _e_, _i_, e por _c_ em qualquer outra
situao, como se fz em castelhano. Com esta simplificao muito
ganhar a lngua escrita e o seu aprendizado e exerccio, pois mais se
aproximar da realidade dos factos constantes da sua pronncia, que
aqueles estranhos smbolos disfaram, e ao mesmo passo se acercar das
ortografias espanhola e italiana, consideradas universalmente, e por
todos os fillogos, como das mais perfeitas entre as que adoptaram o
abecedrio romano, e o apropriaram s convenincias nacionais. Com
efeito, pode afoutamente dizer-se que a ortografia francesa e as actuais
portuguesas que a imitam so escrita de eruditos e para eruditos, ou que
presumem s-lo; as ortografias italiana e espanhola so escrita para
todos os indivduos que nessas naes sabem ler e escrever. Deseja a
Comisso que em Portugal acontea outro tanto, e nesse intuito se
inspirou.

Outra simplificao igualmente importante, que a Comisso sugere como
absolutamente necessria, consiste na abolio de consoantes dobradas,
as quais ficam reduzidas, como em castelhano, a simples, com excepo de
_rr_, _ss_, _mm_, _nn_ mediais, quando acusem diferena de pronunciao,
o que se d, por exemplo, nos vocbulos _cassa_, _carro_, _emmalar_,
_ennovelar_, comparados a _casa_, _caro_, _emanar_, _enervar_.

Estas duas simplificaes, ss por si, acabam definitivamente com dois
dos maiores tropeos com que se encontra estorvada a escrita nacional, e
que j poucos defensores conscienciosos, conscientes e autorizados
lograro obter. Todos, ou qusi todos os que lem ou escrevem,
aplaudiro de certo estas simplificaes h tanto tempo desejadas e
sugeridas.

Alm da inutilidade prtica, e mesmo terica, que oferece actualmente a
duplicao de consoantes na escrita, como _cc_, _dd_, _ff_, _gg_, _ll_,
_mm_, _nn_, _pp_, _tt_, outro estrvo apresentam ainda as nossas
escritas, relativamente modernas, e consiste ste no emprgo de _c_ ou
_p_ antes de _t_, formando os grupos _ct_, _pt_, e ainda _p_, _c_,
como em _producto_, _restricto_, _corrupto_, _escripto_, _assumpo_,
_funco_, etc., nos quais tanto o _c_ como o _p_ so de todo inteis
para a pronunciao. A Comisso preceitua que essas letras escusadas
desapaream da escrita portuguesa, onde vieram enxertar-se por
influncia estranha. Casos, porm, h, e muitssimos, em que tais
consoantes ou so ainda facultativamente proferidas, ou a sua influncia
subsiste no valor das vogais _a_, _e_, _o_ que as precedem, as quais, em
vez de se obscurecerem, como  de regra, nas slabas antetnicas,
conservam os seus valores, relativamente __, __, __, que tinham
quando essas consoantes, hoje mudas, se proferiam. Dste modo, a
Comisso entendeu ser de necessidade a conservao delas, quer quando a
vogal, _a_, _e_ ou _o_ precedente  tona, quer em vocbulos
aparentados, quando  tnica; por exemplo: _direco_, _directo_,
_aco_, _activo_, _acto_, _traco_, _tracto_, _excepo_, _exceptuar_,
_excepto_, _adopo_, _adoptar_, _adopto_, comparados estes ltimos
vocbulos com _opo_, _optar_, _opto_, em que o _p_ se profere. Com
esta excepo aos princpios simplificadores que a Comisso observou no
sistema ortogrfico que prope, conseguiu no demudar o aspecto de
centenas de palavras relativamente modernas, mas de uso constante; e com
tanto maior razo o fz, quanto  certo que em muitas destas palavras as
letras _c_ e _p_ por muitas pessoas so ainda proferidas, tais como
_faco_, _recepo_, _espectador_, a par de _espe(c)taculo_, etc.
Quanto ao _g_ que precede _m_ ou _n_, ou ainda outras letras, entendeu a
Comisso dever elimin-lo nas palavras em que se no profere, como
_assinar_, _Incio_, _aumentar_, _Madalena_, comparadas com _designar_,
_Agnelo_, _fragmento_, o que j h quatro sculos Duarte Nunes do Lio
aconselhara; s modernamente le a foi introduzido, quando se
implantaram artificialmente entre ns ortografias servil e
inconseqentemente etimolgicas, qusi todas por influncia da escrita
francesa. Outro tanto acontece com _damno_, _solemne_, que se
escrevero, como dantes, _dano_, _solene_.

Efectivamente, se na leitura de livros estrangeiros houvesse predominado
em Portugal a de italianos ou espanhis, nunca tais complicaes
ortogrficas se haveriam enraizado na escrita literria do idioma
ptrio, avsso a tais arrebiques, e ao qual  de toda a convenincia
restituir a simplicidade e coerncia da antiga escrita.

Outra feio essencial numa ortografia, que seja, quanto possvel,
imagem dos fenmenos que se observam na linguagem falada,  a
regularizao da sua acentuao grfica, por meio da qual se diferencem
palavras que se escrevam com as mesmas letras, mas tenham pronunciao e
significao diversas; e ainda que seja por tal modo combinada e
aplicada, que nenhuma dvida possa subsistir com relao a qual seja a
slaba predominante de qualquer palavra ou forma, em idiomas em que,
como acontece em portugus, a acentuao tnica pode afectar uma
qualquer das trs slabas finais. Nesta condio  muitssimo superior 
italiana usual a ortografia castelhana, que assinala sistemticamente
com o acento agudo (') todos os vocbulos esdrxulos e todos os
terminados em consoante, se a slaba predominante  a penltima, ou
terminados em vogal, se ela  a ltima. A Comisso atendeu a essa
condio essencial da leitura, e suposto a no preceitue j como
obrigatria em todos os casos em que seria necessria, aconselha-a e
fixa-lhe as regras que a determinaro, quando rigorosamente empregada,
como convir que o seja em todos os livros de ensino e consulta.

Sabe a Comisso que esta parte da reforma ortogrfica ser aquela que
maiores dificuldades encontrar na sua execuo, principalmente a
acentuao distintiva de tantssimos homgrafos, como os que existem em
portugus, muitos mais do que em castelhano, ou mesmo em italiano. Essas
distines obrigaro quem escreve para o pblico a ser um tanto mais
cauteloso na ortografia das palavras, do que usualmente o  na
actualidade. Em compensao, porm, o escritor j no ter futilidades
etimolgicas a respeitar por costume, e o bom ensino da leitura em breve
habituar as geraes novas  acentuao rigorosa.

No foi condescendncia com a inrcia que imperou no nimo da Comisso,
ao deixar em certo modo facultativo, por emquanto, o uso pontual da
acentuao grfica em todas as suas mincias, como o  o da castelhana,
e com a mais estrita coerncia; mas sim o reconhecimento de que as
condies naturais do idioma portugus exigem que essa acentuao
grfica seja muito mais copiosa e diferencial do que o  a castelhana,
em si modelar na sua simplicidade. Na realidade, em castelhano no h a
diferenar _e_, _o_ fechados de _e_, _o_ abertos, o que dispensa o uso
do acento circunflexo nesse idioma, no qual no existe o considervel
nmero de homgrafos que se observa em portugus; e alm disto no se
do em castelhano os constantes acidentes de variao de valor em _e_,
_o_, que no portugus se produzem e determinam um sem nmero de
vocbulos entre si diferentes fonticamente, conquanto nas letras com
que se escrevem sejam iguais, e que nenhum ouvido portugus confundir,
como  conveniente que a escrita os no confunda, tais como _entrro_,
_almo_, substantivos, e _entrro_, _almo_, verbos; _sbre_,
preposio e _sbre_, verbo; _sde_ e _sde_; _plo_ substantivo _plo_,
verbo, a par de _pelo_ (_p'lu_) contraco de _per lo_, preposio e
artigo; _pra_, preposio, e _pra_, verbo; _dmos_, presente, e
_dmos_, pretrito, etc.

Nestes homgrafos, porm, para se evitar acentuao dispensvel, o que
cumpre  assinalar-se no _e_ e no _o_ o seu valor de __, __, visto que
os nomes destas letras em portugus se proferem com vogais abertas, __,
__, devendo pois considerar-se sse valor como o seu normal quando so
tnicas. Por ste motivo, o que convm em tais homgrafos  marcar-se
com o acento circunflexo as vogais fechadas, omitindo-se o acento agudo
em _e_ e _o_ abertos, e escrevendo-se portanto as palavras citadas, e
outras anlogas, _sbre_ e _sobre_, _almo_ e _almoo_, _entrro_ e
_enterro_, _sde_ e _sede_, _plo_, _plo_ e _pelo_, _pra_ e _para_,
_dmos_ e _demos_. E necessrio que _plo_, _pra_, _plo_ sejam porm
marcados com o acento agudo, pois as contraces _pelo_, _polo_ (arcaica
esta) e a preposio _para_ so sempre tonas. A forma da 1.^a pessoa do
plural do pretrito perfeito dos verbos em _-ar_, como _louvmos_,
receber, o que  j uso corrente, o acento agudo, para se diferenar da
do presente, _louvamos_, por isso que o _a_ antes de consoante nasal, 
normalmente fechado, isto , proferido __, e a distino se observa em
qusi todo o domnio portugus.

Algumas consideraes consagrar ainda a Comisso ao sistema de
acentuao grfica.

Como  j uso estabelecido, o acento agudo (')  o sinal, por
excelncia, da slaba predominante de todo o vocbulo que no seja
tono, com excepo de _e_, _o_ fechados, que sero, aceitando-se o
costume que em portugus se foi lentamente fixando, assinalados com o
acento circunflexo (^). Fixa a Comisso o uso, mais ou menos vagamente
seguido, de marcar com outro acento disponvel, o grave (`), as vogais
_a_, _e_, _o_, abertas, de slabas pretnicas, quando haja homgrafos a
diferenar entre si. Nesta conformidade escrever-se ho: __, contraco
de _a_ artigo e _a_ preposio, de que se diferenar; _quela_,
diferente de _aquela_; _prgar_, diverso de _pregar_; _mlhada_, e
_molhada_, particpio femenino de _molhar_. Preceitua pois a Comisso
que o acento grave indique o valor alfabtico das vogais _a_, _e_, _i_,
_o_, _u_ (__, __, __, __, __), e dste preceito se deduzem todas as
aplicaes que d ao acento grave. Essas outras aplicaes so as
seguintes:

1.^a Distinguir homgrafos, _aquela_, _quela_, _pregar_, _prgar_,
quando a vogal distintiva seja tona; 2.^a, marcar as vogaes _a_, _e_,
_o_, abertas, em palavras que tenham dois acentos tnicos, o ltimo dos
quais seja o predominante, como  de regra em portugus, _chapuzinho_,
_avzinha_, _mzona_; 3.^a, dissolver ditongos tonos, _samento_,
_pasagem_, _sadar_, a par de _sada_, _pas_, _sade_, em que _i_, _u_
so tnicos; 4.^a, diferenar o _u_ proferido, dos grupos _qu_, _gu_, do
_u_ mudo dos mesmos grupos, _freqente_, comparado a _quente_, _argir_,
comparado a _seguir_. Quando o _u_ passe a ser tnico, o acento grave
mudar-se h em agudo; ex.: _argi_, diferente de _argi_.

Como a Comisso fixou que a subjuntiva fraca dos ditongos seja sempre
escrita com _i_, _u_ e nunca _e_, _o_  intil o emprgo de qualquer
sinal diacrtico nestas duas letras, para denotar que no formam ditongo
com a vogal precedente, como em _moeda_, _nefito_, _cooperar_, etc.

A escrita dos ditongos orais ser portanto a seguinte, na qual _i_,
_u_, _i_, com a vogal dominante aberta, se diferenam de _ei_, _eu_,
_oi_, em que ela  fechada: _ai_ (_i_, _i_), _i_, _ei_, _i_, _oi_,
_ui_, _au_, _u_, _eu_, _ou_, _iu_, do que so exemplos estes vocbulos:
_pai_, _caiar_, _ris_, _reis_, _sis_, _sois_ (verbo), _fui_, _pau_,
_cu_, _seu_, _riu_, _levou_. Preferu-se acentuar as vogais abertas de
_i_, _u_, _i_, visto serem elas sempre tnicas; sse acento mudar-se
h no grave, quando acidentalmente elas sejam em certo modo tonas, como
em _vuzinho_, _painizinhos_, _hericidade_. Os dois valores da escrita
_ai_ (_i_ e _i_) como em _ensaio_, _ensaiar_,  desnecessrio
acus-los, por isso que o ditongo _i_ tono s se manifesta antes de
vogal, pois quando tnico se escreve _ei_.

No Formulrio de regras de ortografia, que a Comisso submete 
apreciao do Govrno, ficaro consignados os principais preceitos da
acentuao escrita, que se encontram postos em prtica no VOCABULRIO
ORTOGRFICO, a que j se referiu, e completamente expostos de pginas
155 a 200 da ORTOGRAFIA NACIONAL, tambm j citada, a qual tem um
copiosssimo ndice alfabtico e remissivo, que facilita a sua consulta
nos casos duvidosos. Exemplos rigorosos dste sistema de acentuao
oferece-os igualmente todo ste relatrio, bem como de toda a ortografia
que se prope.

Aludiu agora mesmo a Comisso  distino, que  mester deixar retratada
na escrita, entre _e_ e _o_ fechados e _e_ e _o_ abertos, quando entre
si distinguem inmeras palavras e formas gramaticais. Outra no menor
dificuldade oferece a lngua portuguesa, comparada s suas congneres: 
a atonia de certas vogais, que adquirem timbres especiais, e lhe 
peculiar, s tendo paralelo na catal, e em muito menor grau, e de certo
modo, na francesa e na provenal moderna, mas em qualquer delas sujeita
a menor nmero de excepes. Neste ponto  o portugus s comparvel,
ainda que vagamente, ao ingls. Com efeito, ao _a_ tnico, geralmente
proferido __, corresponde um _a_ tono, qusi sempre surdo, __; ao __
ou __ tnicos, um _o_ que se profere como _u_ na grande maioria dos
casos; ao __ ou __, um _e_ surdo tono, mais ou menos perceptvel na
pronncia, conforme os sons com que est em contacto e lhe influem no
timbre. Se sse _e_ tono  seguido de vogal, ou  inicial de vocbulo,
vale por _i_, ex.: _veado_, _evitar_; se se lhe segue consoante palatal,
_ch_, _x_, _j_, _s_, _lh_, _nh_, equivale a _i_ surdo, e com ste se
confunde no falar usual e desafectado. Comparem-se, com efeito, entre si
vocbulos tais como _ferro_, _ferreiro_; _grlo_, _grelar_; _fecho_,
_fechar_; _cereja_, _cerejeira_; _telha_, _telhado_; _desenho_,
_desenhar_; _pesca_, _pescar_, e _pisco_, _piscar_; _esteira_ e
_histria_; _testar_ e _distar_; _distinto_, de _distinguir_; e
_destinto_ de _destingir_; atente-se igualmente na pronncia do vocbulo
_privilegiado_ que  _preveligiado_, muitas vezes errneamente assim
escrito, e ver-se h quanto  difcil a nossa escrita.

Por outra parte, e o ltimo vocbulo o comprova, numa seqncia de
slabas, todas as quais tenham _i_ por vogal antes da predominante, sse
_i_ escrito, quando tono, profere-se qusi sempre como _e_ surdo, em
pronncia desafectada. H excepes que as gramticas devem explicar.

Desta srie de fenmenos, que tornam o portugus o mais delicado e
interessante dos idiomas neo-latinos, originam-se constantes erros e
hesitaes na sua escrita, a que no  possvel obviar, a no ser por
uma transcrio absolutamente fontica, a qual reproduza fielmente todos
sses acidentes, e que seria inadmissvel em ortografia corrente e
usual, pois smente um ouvido exercitado e um tirocnio especial a
poderiam aplicar.

No se pense, portanto, que a fixao de uma ortografia regularizada e
simplificada possa remover todas as dificuldades, sem um suficiente
preparo gramatical, em que a derivao e formao das palavras, e os
resultantes acidentes na variao dos sons que as compem, conforme a
sua situao, hajam sido estudados.

A consulta oportuna de um vocabulrio, como o j indicado, feito em
harmonia com os preceitos estabelecidos, ser tambm indispensvel, no
s em razo do emprgo de _o_ ou _u_ e tambm _e_ ou _i_ tonos, quer
antes de consoante, quer antes de vogal, mas ainda com relao ao uso de
__ ou _ss_ mediais, de _ce_, _ci_, _s(s)e_, _s(s)i_, _z_ ou _s_ entre
vogais, e quando finais, e em menor escala o de _ch_ e _x_, de _ge_,
_gi_ ou _je_, _ji_.

O VOCABULRIO ORTOGRFICO indicado remove todas as dvidas, visto
encontrar-se nele a etimologia dos vocbulos, quando necessria a essas
distines ortogrficas, a comparao vocabular e formal com a
ortografia denominada etimolgica, e a conjugao dos verbos,
exemplificada em todas as suas diferentes modalidades.  um livro que se
pode considerar adequado ao perodo de transio, que h-de decorrer
antes que se vulgarize a ortografia regularizada oficial.

A Comisso no hesitou, respeitando a histria do idioma ptrio, as suas
origens e a sua evoluo no tempo e no espao, em conservar a distino
grfica entre __ e _s(s)_, entre _z_ e _s_ mediais, psto que nenhuma
diferena se observe j na sua pronncia do Mondego para o sul, e a
distino se v obliterando cada vez mais nos centros urbanos das
provncias do norte.

A diferenciao grfica, conforme a sua origem, entre _se_, _si_, e
_ce_, _ci_, iniciais, entre __ e _ss_ mediais, bem como a que ainda
dialectalmente subsiste entre _z_ e _s_ intervoclicos, ou _x_ e _ch_ ou
__ e _ou_, pertencem  histria da lngua, e a Comisso conserva-as,
regulando-as com o maior rigor; pois ficaria em contradio com essa
histria se, o que fra relativamente fcil, optasse por escrever sempre
_z_ entre vogais, e sempre _s_ em finais de vocbulos; porque no seria
licito, nem ningum lhe aceitaria, substituir _ce_, _ci_, __, por _s_
ou _ss_, em milhares de vocbulos e formas, que sempre se tem conservado
diferentes na sua escrita, e com bons fundamentos.

Neste pressuposto, prescreve que _ce_, _ci_, __, ou _z_ final de
vocbulos correspondam a _ci_, _ti_ latinos, a _ss_ arbicos; e _s_,
_ss_ a _s_ ou _ss_ latinos; e, por outra parte, que _z_ corresponda a
_z_, ou _ce_ ou _ci_, _ti_ latinos, ou a _zz_ arbicos; _s_ entre
vogais, ou final, a _s_ latino. Nos vocbulos de origem americana
indgena _ce_, _ci_, __ so preferveis a _s_, seguindo-se nisso a
escrita tradicional. Para quem no esteja preparado com umas noes,
rudimentares que sejam, de latim, a consulta ao VOCABULRIO 
indispensvel em casos duvidosos, e muitas vezes  conveniente a
comparao com as correspondentes formas ou palavras castelhanas, pois
no idioma do centro de Espanha a confuso entre _s_ e _c_ ou __
(modernamente escrito _z_)  impossvel, pois bem se diferenam na
pronncia, como antes acontecia em Portugal e no resto da Pennsula
Hispnica.

Muito menor dificuldade apresenta a diferenciao entre _ch_ e _x_, e o
VOCABULRIO, bem como a escrita castelhana, em que _x_  modernamente
representado por _j_, fcilmente a indicam. Bastar aqui dizer-se que,
em geral, _ch_ corresponde a _cl_, _fl_, _pl_ latinos, e que em
vocbulos de origem arbica o emprgo de _x_  de regra. Com respeito 
seleco entre __ e _ou_, deve considerar-se que o digrama _ou_
corresponde a _au_ ou _al_ latinos, s vezes a _oc_, _ap_, e ao _au_
arbico: a diferena  intutiva para todos os portugueses do norte e
das duas Beras, pois _ou_ para les  ditongo, e no simplesmente _o_
fechado, como o  no sul do pas.

A escrita dos ditongos nasais ser, como  j uso radicado, _e_, _e_,
_em_, _ens_, _o_ como em _me(s)_, _botes_, _bem_, _bens_, _mo(s)_;
e, conforme tambm h muito se usa, nas terminaes tonas dos verbos o
ditongo _o_ ser escrito _am_; assim teremos, por exemplo, _louvam_,
_louvaram_, presente e pretrito, _louvaro_, futuro, sem precisarmos de
indicar por acentos a diferena. Nos substantivos, porm, o acento na
slaba predominante diferenciar _cvo_ de _covo_, designando o acento
a atonia do ditongo final, como em _rfo_, _rgo_, _Estvo_, etc.,
visto que a escrita _orfams_ seria uma novidade intil, e _rfans_ daria
causa a equvoco, conquanto o respectivo femenino se escreva _rf(s)_.
O ditongo _em_, quando predominante em polisslabos, receber o acento
circunflexo, como em _armazm_, _armazns_, _porm_, a par de _margem_,
_porem_, cuja escrita indicar a acentuao _mrgem_, _prem_, mesmo sem
ser marcada. O ditongo _[~u]i_ de um nico vocbulo actualmente,
_muito_, e sua abreviatura procltica _mui_, hoje em dia s literria,
continuar, como at aqui, sem sinal especial que indique a nasalizao;
e _ruim_, que dialectalmente se profere _r[~u]i_, ser disslabo, e no
monosslabo.

 vogal __, nasal, fixa-se a escrita __, final; s demais vogais, e a
__ quando no como ou interior do vocbulo no se alterar a escrita
j adoptada, _am_, _an_, _em_, _en_, _im_, _in_, _om_, _on_, _um_, _un_.

Em obras didcticas, porm,  licito indic-las, com maior exactido,
por __, _[~e]_, _[~i]_, __, _[~u]_, e ao ditongo nasal _em_ por
_[~e]i_, quando a clareza da exposio o exija.

O sinal (") ou cimalhas, pices, cuja funo em vrias ortografias a
maioria da Comisso atribui ao acento grave (`), fica reservado para
denotar, em obras da espcie designada, o valor do ou dialectal (_u_,
__, _[o:]_) e o do _u_ igualmente dialectal (__); o __ servir para
representar em especial o _e_ fechado, antes de palatal, que varia de
valor, entre __ e __, dos estremos para o centro de Portugal, como em
_seja_, _fecho_, _selha_, _senha_, etc. So sinais stes que nenhuma
aplicao tem na escrita comum, na qual, portanto, palavras com _exodo_,
_exito_ sero acentuadas _xito_, _xodo_, e no _xito_, _xodo_, ou
_isito_, _isodo_, como  a sua pronunciao.

A acentuao grfica tem como primeiro fim acusar a slaba tnica,
considerando-se que o til (~) vale por acento tnico, se outro no
existe marcado no vocbulo ou forma; acusa ainda sse acento a tnica
predominante, se h mais de uma, e ainda, em monosslabos, que estes no
so tonos. Esta acentuao denomina-se p r o s  d i c a, e compreende
no s oa dois casos indicados, mas igualmente outros acidentes
vocabulares, como a desunio de vogais que geralmente formam ditongos.

Um bom sistema de acentuao deve ser tal que, ou a slaba predominante
se assinale na escrita, ou no, quem l nenhuma hesitao possa ter
sbre qual seja essa slaba. Com o sistema proposto pela Comisso 
satisfeito ste preceito fundamental com tanta pontualidade, quanta
observamos na ortografia castelhana, ou na toscana, segundo o plano de
Petrcchi. O sinal do acento tnico  o agudo nas vogais _a_, _i_, _u_,
_e_ e _o_ abertos, o circunflexo em _a_, _e_, _o_ fechados, e o til na
vogal final __, e nos ditongos nasais _e_, _e_, _o_.

Na vogal nasal __, ou em _a_ antes de consoante nasal, adopta a
Comisso igualmente o acento circunflexo, _nsia_, _nimo_, em ateno a
que sse _a_ se profere fechado na maioria do pas. O VOCABULRIO marcou
as vogais nasais ou antes de nasal com o acento agudo, como sinal geral
da slaba predominante, e deve ter isso em considerao quem o
consultar.

Outra acentuao grfica se prope, generalizando e fixando usos mais ou
menos estabelecidos, e esta pode denominar-se d i s t i n t i v a.
Consiste no emprgo do circunflexo (^) sbre todos os _ee_ e _oo_
fechados de monosslabos, ou de vocbulos polissilbicos inteiros, isto
, com a penltima slaba predominante, quando outros existam em que
tais vogais sejam abertas, como j ficou indicado: _rgo_, _rego_;
_rgo_, _rogo_.

Deve ter-se em ateno que, sendo toda a acentuao vocabular, e sempre
fontica, quando um qualquer vocbulo, na sua flexo, ou nos seus
derivados, muda de estrutura com relao  acentuao que exigia, esta
mantm-se, perde-se ou adqure-se, conforme as novas condies a que a
forma, ou o derivado, ficam sujeitos. Dste modo, a palavra _corts_, no
plural dispensa o acento, _corteses_; _batis_, muda o agudo para grave
em _batizinhos_; _fugira_, ser, na 2.^a pessoa do plural, _fugreis_.

Regulou a Comisso tambm o emprgo do hfen, o dos pontos de
interrogao e exclamao, o das letras maisculas, e o do apstrofo
('), que recomenda seja o mais parcimonioso possvel, pois o abuso que
dste sinal se tem feito, onde  errneo ou desnecessrio, nenhuma
vantagem traz  fcil letura, antes a embaraa, e  uma desastrada
imitao da ortografia francesa, que muito desfeia a escrita,
complicando-a, bem como  composio tipogrfica. A maioria das elises
de vogais tonas, e a bem dizer todas as crases de vogais consecutivas
so evidentes, e portanto desnecessrio  indic-las na escrita usual.
No emtanto, fixa a Comisso a unio em uma s dio para os seguintes
pronomes e advrbios acompanhados de preposio, quando os primeiros no
rejam oraes de infinito: _dle_, _nele_, _dela_, _nela_, _dste_,
_neste_, _desta_, _dessa_, _daquela_, _nesta_, _nessa_, _naquela_,
_quele_, _quela_, _dum_, _num_, _daqui_, _da_, _dali_, _aonde_,
_donde_, e para os plurais dsses pronomes, em harmonia com as formas j
empregadas _do(s)_, _da(s)_, _no(s)_, _na(s)_, _pelo(s)_, _pela(s)_,
(_em-no_, _per-lo_), onde a eliso se no indicou jmais; assim tambm,
_doutro_, _noutro_.

Efectivamente, a indicao por apstrofo em formas tais como _d'um_,
_d'le_, para no falar nos erros crassssimos _n'um_, _n'le_,  tam
intil, como o seria escrevermos _vint'e um_, _gner'humano_,
_vic'-almirante_, em vez de _vinte e um_, _gnero humano_,
_vice-almirante_, conquanto o _e_ de _vinte_ e o de _vice_, assim como o
_o_ de _gnero_ se elidam na pronunciao dessas dies.

Ningum ainda julgou necessrio indicar-se por apstrofo a crase de _ao_
em _dezito_ por _dezaoito_; confrontem-se _dezasseis_, _dezassete_,
_dezanove_, e as formas toscanas _diciassette_, _diciannove_. As formas
escritas, modernssimas, _dezeseis_, _dezesete_, _dezenove_ so errneas
e no correspondem por modo algum  sua pronncia, pois ningum profere
_dzisseis_, _dzissete_, _dsinove_, como o exigiria esta formao, se
nela entrasse a conjuno _e_, que se pronuncia _i_. O povo diz, e muito
bem, e dantes sempre assim se escreveram, _dezasseis_, _dezassete_,
_dezanove_, nica escrita legitima, perfeitamente concorde com a toscana
acima citada, e com a pronncia quer italiana, quer portuguesa.

Fora dos casos indicados, a preposio _de_ assim se escrever, seja, ou
no, elidido o _e_ na enunciao.

Aconselha a Comisso o emprgo dos pontos de interrogao e exclamao
invertidos () no como das oraes dessa espcie, quando sejam muito
longas, como se faz na ortografia espanhola; e com tanto maior empenho,
quanto  certo que, sem tal indicao prvia, muitas vezes ser errada a
leitura, ou ficar incerto o sentido. As duas interrogaes
distintas--_Queres vinho ou gua?_, e _Queres vinho, ou gua?_ no se
equivalem nem no sentido, nem na entoao.

O hfen ou linha divisria (-) utiliza-o e preceitua-o a Comisso nos
seguintes casos:

a) Separar de uma linha para a outra as slabas de um vocbulo,
repetindo-se na linha imediata o sinal, se o vocbulo j de si contm a
linha divisria, por ser composto.

b) Unir entre si os dois elementos de uma dio composta, quando cada um
dles tem existncia independente em portugus, e conserva a sua
acentuao prpria.

c) Unir s formas _hei_, _hs_, _h_, _ho_, do verbo _haver_, a
preposio _de_, encltica: _hei-de_, _hs-de_, _h-de_, _ho-de_.

d) Separar nos vocbulos compostos com _bem_, _mal_ o _m_ e o _l_ para
evitar erros de leitura; ex.: _bem-aventurado_, _mal-aventurado_.


So estes os principais fundamentos e preceitos da projectada reforma
ortogrfica, pela Comisso julgada oportuna e de fcil execuo, para
que de ora em diante seja recomendada como obrigatria em publicaes
oficiais e no ensino pblico, e por isso a prope. As simplificaes e a
regularizao apontadas j tem sido empregadas em parte em muitos livros
e alguns peridicos, se bem que qusi sempre com menor coerncia e rigor
do que a Comisso as preceitua, e sem formarem corpo de doutrina
explicada e motivada, como formam no Formulrio e no Pronturio
ortogrficos com que termina esta exposio e que vo em seguimento. Se
exceptuarmos o VOCABULRIO e a ORTOGRAFIA NACIONAL j mencionados, e
cujo sistema s pequenas alteraes sofreu, so sse Formulrio e sse
Pronturio os primeiros trabalhos metdicos e completos sbre ste
assunto.

A Comisso nem por um momento perdeu de vista que a primacial vantagem
de uma ortografia oficial  favorecer o ensino fcil da leitura e da
escrita, tanto quanto um idioma secularmente literrio o permite,
tomando-se por base a histria do idioma ptrio, para que le se
perpetue no futuro, como do passado at o presente perdurou, sempre
idntico a si prprio, apesar da sua inevitvel evoluo.




FORMULRIO ORTOGRFICO

CONFORME O PLANO DE

REGULARIZAO E SIMPLIFICAO DA ESCRITA PORTUGUESA


I. So proscritas de todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas,
as letras _k_, _w_, _y_, as quais sero respectivamente substitudas
pelas seguintes: _k_ por _qu_ antes de _e_, _i_, por _c_ em qualquer
outra situao; _w_ por _u_, ou por _v_, conforme fr a sua pronncia;
_y_ por _i_. Escreveremos, pois, _caleidoscpio_, _quermes_,
_neutoniano_, _Venceslau_, _valsa_, _tipo_, _lira_, _fisiologia_, etc.

Excepes: 1.^a Podero usar-se essas letras em vocbulos derivados de
nomes prprios estrangeiros, em que sejam legtimamente empregadas; ex.:
_kantismo_, _darwinismo_, _byroniano_ (Kant, Darwin, Byron), os quais,
porm, ser lcito escrever, em harmonia com a pronunciao, _cantismo_,
_darunismo_, _baironiano_. Confrontem-se _Coprnico_, de _Kopernik_,
_Anturpia_, de _Antwerp_, _(h)iate_, de _yacht_.

2.^a Continuam em uso os smbolos _W_, para denotar o _Oeste_, e _K_
como abreviatura de unidade mtrica, e tambm na forma internacional
_kilo..._, que todavia se poder escrever _quilo..._; tanto mais, que o
_k_  um grosseiro rro nesta palavra, pois o correspondente termo grego
se escreve com [Grego: _ch_] e no [Grego: _k_].

II. O abecedrio empregado em portugus ficar consistindo nas seguintes
letras, e suas combinaes, e portanto smente com umas ou com outras se
escrevero todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas. Essas
letras e combinaes so: _a b c  ch d e f g h i j l lh m n nh o p qu r
(rr) s (ss) t u v x z_.

III.  eliminada a letra _h_ do interior de todos os vocbulos
portugueses, com excepo do seu emprgo, como sinal diacrtico, nas
combinaes _ch_, _lh_, _nh_, com os valores que as seguintes palavras
exemplificam, e nicamente para les: _chave_, _malha_, _manha_.
Portanto, escrever-se ho, sem _h_, _inibir_, _exortar_, etc., e,
semelhantemente, _sar_, _coerente_, _probir_, etc.

IV.  conservado o _h_ inicial, quando a etimologia o justifique, como
em _homem_, _humano_, _honra_, _hoje_; mas abolido onde  errneo, como
em _hontem_, _hir_, _hombro_, que se escrevero _ontem_, _ir_, _ombro_.

Quando a uma qualquer palavra com _h_ inicial etimolgico se acrescentar
prefixo, suprimir-se h o _h_; ex.: _desumano_, _inumano_, _desonra_,
_filarmnica_, _desistria_, etc.

V.  lcito escrever _h_ final, como sinal de interjeio, _ah!_ _oh!_;
mas  proscrita esta letra final em todos os mais vocbulos; ex.:
_Sara_, _Jud_, _raja_ ou _raj_, etc.

VI. Em harmonia com a clusula III  eliminado o _h_ dos grupos _rh_,
_th_, ou outros quaisquer, inexactamente denominados etimolgicos, e
portanto escrever-se h _teatro_, _retrica_, _aderir_, _aborrecer_,
_sirgo_, _sorgo_, _caridade_, _cristo_, _Cristo_, _monarca_, _tcnica_,
_cloro_, etc. O grupo _ch_, com o valor de _k_ antes de _e_, _i_, ser
substitudo por _qu_; ex.: _monarquia_, _arquitecto_, _qumica_,
_querubim_. O grupo _ph_ ser expresso por _f_; ex.: _filosofia_,
_frase_, _fencio_, _farol_, _fsica_, _fisiologia_, _ninfa_, _profeta_,
etc. Assim tambm escreveremos _ditongo_, _tsica_, _apotegma_, etc.

VII. Nenhuma consoante se duplicar no interior ou fim de vocbulo,
seno quando a pronunciao assim o exija, o que s acontece com _rr_,
_ss_, _mm_, _nn_, como nas seguintes palavras: _carro_, _cassa_,
_emmalar_, _ennegrecer_.

Nesta conformidade, escrever-se ho com letras singelas as seguintes
palavras, e outras que  hbito escrever com letras dobradas: _abade_,
_acusar_, _adio_, _afecto_, _sugerir_, _agravo_, _le_, _ela_,
_aludir_, _chama_, _pano_, _anexo_, _aparecer_, _atribuir_, _meter_,
_atitude_, etc. As letras _r_ e _s_ dobram-se, se a pronncia o exije,
quando a qualquer vocbulo se antepe prefixo terminado em vogal; ex.:
_pressentir_, _prorrogar_, _ressuscitar_: cf. _arrasar_, de _raso_,
_assegurar_, de _seguro_.

VIII. So suprimidas as consoantes mudas, quando no influam no valor
das vogais que as precedem; ex.: _autor_, _restrito_, _produto_,
_produo_, _pronto_, _presuno_, _satisfao_, _praticar_, _tratar_,
_retratar_, _sinal_, _Madalena_, _aumento_, _Incio_, _Ins_, _assunto_,
_assinar_, _sono_, _dano_, _condenar_, etc.

IX. So conservadas as consoantes, usualmente mudas, quando
facultativamente se profiram, ou quando influam no valor da vogal que as
precede; ex.: _contraco_, _reaco_, _direco_, _excepo_,
_adoptar_, _adopo_, _espectculo_, _carcter_, _rectido_.

Neste caso os vocbulos aparentados, em que essas vogais pertenam 
slaba predominante do vocbulo, conservaro, por analogia, a consoante
muda; ex.; _contracto_, _directo_, _excepto_, _adopto_, _caracterizar_,
_recto_, _acto_, em razo de _activo_, _aco_, etc.

X. O emprgo acertado das letras _ce_, _ci_, alternando com _(s)se_,
_(s)si_, ou no interior do vocbulo o de __, alternando com _ss_,
depende da origem dsses vocbulos e do valor que as ditas letras
indicavam, quando a pronunciao delas diferia, como ainda hoje difere
dialectalmente em vrias regies do norte de Portugal. A consulta ao
VOCABULRIO  indispensvel para decidir da escolha. Como regra geral,
_ce_, _ci_, _--_ correspondem a _ce_, _ci_, _ti_ latinos, a _ce_, _ci_,
_za_, _zo_, _zu_ do castelhano actual, a _ss_ arbicos, ou pertencem a
vocbulos de origem americana indgena, transcritos pelos autores
peninsulares.

Fica banido o __ inicial, que ser substitudo por _s_ nos poucos
vocbulos em que etimolgicamente figuraria; ex.: _sapato_, _sara_, e
no _apato_, _ara_, como antes se escrevia, e ainda uma ou outra vez
se escreve.

XI.  conservado o grupo inicial _sc_, das seguintes palavras e seus
derivados e afins, em que o _s_  mudo: _scena_, _scincia_, _scetro_,
_scptico_, _scisma_, _sciso_, _scitico_, _scintilar_, _scelerado_, e
algum outro menos usual.

XII. O emprgo de _ch_ ou de _x_, os quais histrica e ainda
dialectalmente no eram nem so idnticos no valor fontico, regula-se
pela sua origem, e a consulta ao VOCABULRIO torna-se necessria. Deve
ter-se em ateno que _ch_ corresponde a _cl_, _fl_, _pl_, _t'l_
latinos, e a _ch_ francs nas palavras desta origem; _x_ corresponde a
_x_ e a _s_ latinos. Nos vocbulos de origem arbica o emprgo de _x_, e
no de _ch_,  de rigor; assim, _xeque_, e no _che(i)k_.

XIII. A escrita dos ditongos orais  a seguinte: _ai_, _i_, _ei_, _i_,
_oi_, _ui_, _au_, _u_, _eu_, _iu_, _ou_, como em _ensaio_, _ensaiar_,
_batis_, _bateis_ (de _bater_), _sis_ (de _sol_), _sois_ (verbo),
_fui_, _pau_, _cu_, _seu_, _viu_, _grou_, e portanto _pai(s)_,
_amai(s)_, _gerais_, _ris_, _rei(s)_, _faris_, _ris_ (nome plural e
verbo), _azuis_, etc. Ficam abolidas as escritas _ae_, _oe_, _ue_, _ao_,
_eo_, para estes ditongos, quer em nomes, quer em formas verbais.

XIV. A escrita dos ditongos nasais : _e_, _em_ (_ens_), _e_, _o_,
como em _me(s)_, _bem_, _bens_, _pe(s)_, _botes_, _ces_, _mo(s)_,
_rfo(s)_, _cidado(s)_.

Escrever-se ho com _am_ final, em vez de _o_, as formas verbais em que
essa terminao seja tona, como _louvam_, _louvaram_ (presente e
pretrito), diferente de _louvaro_ (futuro).

Os vocbulos terminados no ditongo _em_ (equivalente a _[~e]i_)
recebero o acento circunflexo quando forem polisslabos com a ltima
slaba predominante. Dste modo _porem_, do verbo _pr_, diferenar-se
h de _porm_, conjuno; _contm_, do verbo _conter_, de _contem_, do
verbo _contar_; assim igualmente, _armazm_, _vintm_, _vintns_,
_algum_, mas _viagem_, _origem_. (=_vigem_, _orgem_).

Os monosslabos com esta terminao dispensam a acentuao grfica, por
ser ociosa, e para que fiquem em harmonia com outros monosslabos
terminados em vogal, nasal; ex.: _bem_, _bens_, _tem_, _tens_;
comparem-se _fim_, _som_, _um_; _fins_, _sons_, _uns_.

O ditongo _[~u]i_ de _muito_, _mui_ dispensa igualmente o til na escrita
usual.

XV. A grafia das vogais nasais finais ser a seguinte, j consagrada:
_(s)_, _im_, _ins_, _om_, _ons_, _um_, _uns_, como em _l(s)_,
_irm(s)_, _rf(s)_, _fim_, _fins_, _marfim_, _marfins_, _som_, _sons_,
_jejum_, _jejuns_.

No interior dos vocbulos  a nasalidade da vogal expressa por _m_ antes
de _b_, _p_, _m_, e por _n_ em qualquer outra situao, o que  j uso
estabelecido, mas ao qual convm no se fazerem excepes; assim
escreveremos _circunstncia_, _circunscrever_, _conquanto_, com _n_, e
no com _m_.

XVI.  conservado ao _e_ inicial tono o valor que tem de _i_ em muitos
vocbulos, como _erguer_, _herdeiro_, _evitar_, _elogio_; sendo porm
substitudo por _i_ nas palavras _igual_, _idade_, _igreja_ e seus
derivados, ortografia anterior que se lhes restabelece. 
semelhantemente conservado o _e_ com o valor de _i_ tono antes de
vogal, quando a analogia ou a etimologia o recomendem; ex.: _fealdade_,
_desfear_, de _feio_ (cf. _desfiar_, de _fio_), _ideal_, _meada_,
_reagente_, etc. Restabelece-se porm a verdadeira ortografia de _pior_,
_lial_, _rial_ (antes _peior_, _leial_, _reial_), em que um _ei_
anterior se condensou em _i_, como aconteceu com _igreja_ (forma antiga
_eigreja_) e como ainda hoje acontece com o prefixo _eis-_ (_ex-_), que
 usualmente pronunciado _is_. O ltimo exemplo citado, _rial_, de
_rei_, fica assim diferenado de _real_, procedente do latim r_e_s.

O verbo _criar_ ser semelhantemente escrito com _i_, pois a sua
conjugao  _crio_, _crias_, e no _creio_, _creias_, e portanto
escreveremos tambm _criador_, _criatura_, _criana_, qualquer que seja
a acepo em que se tomem tais palavras. O verbo _recrear_, todavia,
escrever-se h com _e_, porque a sua conjugao  com _ei_, _recreio_,
_recreias_; devendo ter-se em ateno que o _i_ intercalar, para evitar
o hiato _recreo_, s tem cabimento quando o _e_ do radical 
predominante, e conseguintemente escreveremos _passear_, _cear_,
_desfear_, _passeio_, _ceio_, _desfeio_, e no _passeiar_, _ceiar_, etc.

H considervel nmero de verbos, como _alumiar_, _gloriar_, _aviar_,
que se conjugam _alumio_, _glorio_, _avio_, sendo portanto a vogal final
do seu radical _i_ e no _e_. Todavia, por influncia daqueles em que
essa vogal radical , pelo contrrio, _e_, que tono se profere _i_,
alguns verbos em _iar_ confundiram-se com sses, e  j hoje
impraticvel a correco. Os principais dstes verbos so os seguintes,
e convm que no se traslade a outros a irregularidade que se manifesta
neles: _ansiar_, _anseio_; _negociar_, _negoceio_; _obsequiar_,
_obsequeio_; _premiar_, _premeio_; _odiar_, _odeio_; _remediar_,
_remedeio_. Em outros, menos triviais,  duvidoso o modo de os conjugar,
como _licenciar_, _presenciar_, _sentenciar_, que muitos preferem
conjugar _licencio_, _presencio_, _sentencio_, conquanto as formas
_licenceio_, _presenceio_, _sentenceio_ sejam muito mais usuais.  claro
que a irregularidade se no deve trasladar aos substantivos
correspondentes, e que portanto escreveremos _nsia_ (e no _ncea_ ou
_ncia_), _negcio_, _obsquio_, _dio_, _prmio_, _remdio_, e assim
tambm com i os derivados, _odioso_, _obsequioso_, etc.

XVII. Na pronncia do sul de Portugal o _s_ antes de consoante surda, e
quando  final, profere-se como _x_ atenuado, e sendo a consoante
sonora, como _j_, igualmente atenuado. Se em tais condies est
precedido de _e_ surdo, ste _e_, por assimilao, palataliza-se e fica
sendo igual a _i_ na mesma situao, de modo que os dois vocbulos
_pescar_ e _piscar_ s artificialmente se distinguem; assim tambm a
primeira slaba de _esteira_ confunde-se com a primeira slaba de
_histria_, e tanto, que antigamente se escrevia _estrea_ (com _ea_,
para se evitar a leitura _estorja_, pois nenhuma diferena grfica se
fazia entre _i_ e _j_). Para quem profira do mesmo modo _es_ e _is_,
tonos,  necessrio recomendar que se regule pelas formas em que _e_ ou
_i_ sejam predominantes, a fim de acertar com a devida escrita. No
exemplo citado, _pescar_ procede de _pesca_, e portanto com _e_ se
escrever; _piscar_, de _pisco_, ortografar-se h com _i_.

A confuso entre _es_ e _is_ mais freqente, e que d margem a inmeros
erros de ortografia, ocorre com os prefixos _des-_ e _dis-_. 
usualssimo ver-se escrito _destribuio_, por exemplo. Cumpre advertir
que o valor dstes dois prefixos, assim confundidos na pronncia
meridional,  diverso: _des-_,  privativo, _dis-_ indica repartio,
diviso. Escreveremos pois _destinto_ com _e_, de _destingir_, de
_tingir_, _distinto_ com _i_ de _distinguir_, e assim tambm
_dispersar_, _discrio_ (que se no deve confundir com _descrio_, de
_descrever_), _discrdia_, _discorrer_, etc.

XVIII. Sendo o _e_ tono, antes de consoante palatal, _ch_, _x_, _j_,
_lh_, _nh_, por assimilao igual a _i_ surdo, d-se freqentemente a
dvida sobre a escrita com _e_ ou com _i_, em slabas tonas. Convm, do
mesmo modo, recorrer s formas em que a vogal duvidosa seja
predominante; assim, _lenheiro_, de _lenha_, escrever-se h com _e_,
_linheiro_, de _linho_, com _i_.

XIX. Por outra parte, no centro de Portugal o _e_ fechado antes das
mencionadas consoantes palatais _ch_, _x_, _j_, _lh_, _nh_ profere-se
como __, e esta pronncia vai-se difundindo cada vez mais no pas:
_fecho_, _cereja_, _selha_, _senha_ so pronunciados _fxo_, _cerja_,
_slha_, _snha_. Valendo o _a_ antes de consoante nasal, _m_, _n_, _nh_
por __ fechado, em geral, produz-se, pela concorrncia destas duas leis
fonticas, onde elas predominam, a confuso entre _senha_, sinal, e
_sanha_, ira, entre _lenho_, madeiro, e _lanho_, golpe.

Para no se deformar a lngua ptria, torna-se essencial a devida
distino grfica, ainda quando se no observe na fala, e  fcil
acertar-se com a escrita, se se atender  pronncia dessa vogal,
duvidosa quando tnica, em formas nas quais ela seja tona: _sanha_,
ira, escreve-se com _a_, porque dizemos _assanhar_, e no _assenhar_,
ao passo que um verbo derivado de _senha_ (s_i_g_n_a, latino)
_desenhar_, se no profere _desanhar_; _lanho_, golpe, tem um derivado
_alanhar_, que no  _alenhar_, e conseguintemente deve escrever-se com
_a_.

XX. Continua o emprgo tradicional de _o_ tono valendo por _u_, quer
final, quer medial, quer inicial, ou le seja analgico, como em
_formosura_, de _formoso_, de _forma_, _porteiro_, de _porta_, _correr_,
_crro_, _corres_, ou etimolgico como em _monumento_, latim
_monumentum_, _governar_, castelhano _gobernar_, latim popular
_g o b e r n a r e_, latim clssico g [)u] b e r n a r e. Na escrita
ser indispensvel atender-se  forma primitiva, portuguesa ou latina,
ou recorrer-se ao competente VOCABULRIO, pois os casos duvidosos, para
os indoutos, so aos milhares.

Antes de vogal como em _mgoa_, _ndoa_, a conjugao dos respectivos
verbos, _magoar_, _maga_, _ennodoar_, _ennoda_, como em _soar_, _sa_,
indica a escrita correcta. Com verbos como _aguar_, cuja conjugao 
incerta,  prefervel escrev-los com _u_, e assim tambm _gua_,
_rgua_, _lgua_, visto que a razo da escrita com _o_ era
principalmente o evitar-se que _u_ fosse lido como _v_, quando nenhuma
distino fixa e assente existia, para se determinar quando as duas
formas _u_, _v_ eram consoantes ou vogais. Feita a distino, como h
mais de um sculo se faz, quer na escrita, quer na imprensa, deixaram de
ser necessrios sse e outros expedientes grficos, como a adjuno de
_h_ a _u_ ou a _i_, para indicar serem vogais, e no consoantes, o que
motivou as grafias _hiate_, _huivar_, _hia_, para que _uivar_, _iate_,
_ia_ se no lessem _vivar_, _jate_, _j_. Alguns _hh_ e alguns _oo_ teem
essa origem a explic-los.

XXI. No centro de Portugal o digrama _ou_, quando tnico, confunde-se na
pronunciao com __, fechado. A diferena entre os dois smbolos, __,
_ou_,  de rigor que se mantenha, no s porque, histrica e
tradicionalmente, les sempre foram e continuam a ser diferenados na
escrita, mas tambm porque a distino de valor se observa em grande
parte do pas, do Mondego para norte. Outra razo se deve apontar ainda,
e essa  que _ou_ tono ou conserva o valor que lhe  prprio, ou,
popularmente, se profere __; ao passo que __ vale por _u_ nas slabas
tonas; assim, por exemplo, _roubar_, de _roubo_, no altera o valor do
_ou_ do radical, o que no acontece, por exemplo, com _rogar_, de
_rgo_, em que _o_ vale por _u_, se no  predominante. Duas excepes,
pelo menos, existem modernamente: _apoquentar_, de _pouco_, e
_aposentar_, de _pouso_, que antes eram _apouquentar_, _apousentar_. A
reduo deve ter tido origem no sul, em que _ou_ se confunde com __.

ste ditongo _ou_ alterna em qusi todos os vocbulos com o ditongo
_oi_, ao qual muitos do a preferncia, exceptuando porm certos
vocbulos como _outro_, _roubo_, etc. A alternncia d-se principalmente
antes de _r_, _s_, como em _ouro_, _cousa_; _oiro_, _coisa_.

Quem prefira _oi_ a _ou_ assim escrever, pois qualquer das formas 
lcita na maioria dos vocbulos, como se disse. Nas formas verbais,
porm, como a 3.^a pessoa do singular do pretrito _louvou_, no 
admitido o ditongo _oi_ por _ou_, nem tampouco em _coube_, _soube_,
_trouxe_, etc.

Advertir-se h que  errnea a forma _poude_ em vez de _pude_, 1.^a
pessoa, e _pde_, 3.^a pessoa do presente do verbo _poder_, que tem
origem diferente (p o t u i, p o t u i t, latinos) da que vemos em
_coube_, _soube_ (lat. c a p u i (t), s a p u i (t)), comum  1.^a e
3.^a pessoas do mesmo tempo verbal dos verbos _caber_ e _saber_. Um
qualquer indivduo, originrio das regies em que _ou_  diferente de
__ no valor, no conjugar jamais assim erradamente o verbo _poder_,
nas duas formas citadas, nas quais no h o ditongo _ou_, como em
_coube_, _soube_, _trouxe_, mas sim _u_ e __ fechado.

XXII. Acentuao grfica.

Como  uso corrente, marcam-se com o devido acento, agudo ou
circunflexo, os vocbulos terminados em _a_, _e_, _o_ tnicos, seguidos,
ou no, de _s_, e por analogia os terminados em _em_, _ens_; ex.:
_alvar(s)_, _louvar(s)_, _mar(s)_, _merc(s)_, _portal(s)_,_
av(s)_, e bem assim os monosslabos, como _p(s)_, _s(s)_, _s(s)_,
_s(s)_; _vintm_, _vintns_, _contm_, _contns_; os monosslabos em
_em_, _ens_, dispensam a acentuao: _bem_, _bens_, _tem_, _tens_.

XXIII. O sinal denominado til (~) vale por acento tnico quando no haja
outro acento grfico a designar a slaba predominante do vocbulo; ex.:
_cidado(s)_, _escrivo_, _escrives_, _nao_, _naes_, _mo(s)_,
_me(s)_; mas, _ourgo(s)_, _rbo(s)_, _Estvo_, _Cristvo_, etc.

XXIV. As palavras terminadas em _i_, _u_, vogal nasal ou ditongo,
seguidos ou no de _s_, ou em outras consoantes, excepto na terminao
_em_, _ens_, entende-se terem como slaba predominante a ltima, no se
acentuando portanto grficamente seno as excepes a esta regra; ex.:
_javali(s)_, _peru(s)_, _ma(s)_, _atum_, _atuns_, _marau(s)_,
_arrais_, _esqueceu_, _judeu(s)_, _painel_, _farei(s)_, _mulher_,
_vencer_, _timidez_, _feliz_, _arroz_, _alcauz_, _lioz_, _alcatruz_;
mas, _qusi_, _Vnus_, _rf(s)_, _lbum_, _amveis_, _fcil_, _fceis_,
_svel_, _sveis_, _fareis_, _alcar_, _carcter_ (plural
_caracteres_), _mrtir_, _sror_, _cnsul_.

XXV. Os nomes terminados em _em_, _ens_, e as formas verbais em _am_,
_em_, entende-se terem como slaba predominante a penltima, que se no
assinala com acento grfico; ex. _louvam_, _louvaram_ (cf. _louvaro_,
futuro), _porem_, _contem_ (dos verbos _pr_, _contar_), marcando-se o
acento grfico quando a slaba predominante seja a ltima; ex.: _porm_,
_contm_ (de _conter_), _armazm_, _armazns_, _Jerusalm_, _Belm_.

XXVI. Todos os vocbulos cuja slaba predominante seja a antepenltima
tero essa slaba marcada com o competente acento escrito; ex.:
_sbado(s)_, _cmara(s)_, _cdula(s)_, _pssego(s)_, _smola(s)_,
_concntrico(s)_, _ttulo(s)_, _ntimo(s)_, _prdigo(s)_, _cmodo(s)_,
_lbrego(s)_, _lgrube(s)_,_ nico(s)_; _rea(s)_, _ria(s)_,
_rduo(s)_, _mgoa(s)_, _contemporneo(s)_, _Libnio_, _nuo_,
_proscnio(s)_, _gmeo(s)_, _ingnuo(s)_, _smea(s)_, _virgneo(s)_,
_insnia(s)_, _fria(s)_, _facndia(s)_, _ndito(s)_, _argnteo(s)_,
_fmbria(s)_, _vergntea(s)_, _nncio(s)_, _demnio(s)_, _Antnio_,
_Antnia_, _infortnio_, _farmacutico_, etc.

XXVII. O acento marcado nos esdrxulos  diferencial com relao aos
vocbulos que, escritos com as mesmas letras, tenham por slaba
predominante a penltima, ou a ltima; ex.: _fbrica_, substantivo, e
_fabrica_, verbo; _rplica_, substantivo, e _replica_, verbo: _ndico_,
adjectivo, e _indico_, verbo; _histria_, substantivo, e _historia_
(_r_), verbo; _telgrafo_, substantivo, e _telegrafo_ (_gr_), verbo,
etc.

XXVIII. Quando um qualquer vocbulo que tenha por slaba predominante a
penltima, e cuja vogal nessa slaba seja _e_ ou _o_ abertos, fr
homgrafo com outro em que sse _e_ ou _o_ seja fechado, marcar-se ho
stes com o acento circunflexo. Assim se diferenaro _rgo_,
substantivo, e _rego_, verbo: _pgo_, ave, e _pego_, abismo, ou forma do
verbo _pegar_; _rgo_, substantivo, e _rogo_, verbo; _sbre_,
preposio, e _sobre_, verbo; _mdo_, susto, e _medo_, nome tnico;
_dmos_, presente do subjuntivo, e _demos_, pretrito (do verbo _dar_).

XXIX. Diferenar-se ho pelo acento agudo os seguintes vocbulos:
_pra_, verbo, de _para_, preposio; _plo_, _pla_, de _plo_
substantivo, e de _pelo_, _pela_ (_per lo_, _per la_, _per o_, _per a_);
_plo_, substantivo, de _polo_ (forma antiquada, em vez de _pelo_); e
pelo circunflexo, _pra_, de _pera_, forma antiga e popular da
proposio _para_; _qu_, de _que_ procltico, tono; _cmo_, verbo, de
_como_, partcula. Pelo agudo se diferenar a forma do pretrito,
_louvmos_, da do presente, _louvamos_.

XXX. As formas verbais _dem_, _lem_, _vem_, _crem_ (de _dar_, _ler_,
_ver_, _crer_) recebero o acento circunflexo, ficando assim distintas
de outras como _te(e)m_, _ve(e)m_, de _ter_, _vir_.

XXXI. Quando a segunda de duas vogais consecutivas seja _i_ ou _u_, que
no forme ditongo com a vogal precedente, marcar-se h com o acento
agudo, se fr tnica; ex.: _sa_, _sada_, _fasca_, _sade_,
_balastre_, _razes_, _ba(s)_. Se fr tona pode assinalar-se com o
acento grave; ex.: _samento_, _fascar_, _sadar_, _enrazado_,
_abalado_.  licito dispensar-se o agudo se a consoante seguinte no
fr _s_; ex.: _ainda_, _raiz_, _sair_, contanto que no inicie outra
slaba. Podem, portanto, escrever-se _Coimbra_, _raiz_, _sair_, sem
acento, mas exigem-no _sada_, _sara_, _sade_, _razes_, _atade_,
etc.

XXXII. Os ditongos _i_, _i_, _u_, sempre finais tnicos, recebero o
acento agudo, que os diferena de _ei_, _oi_, _eu_, fechados; ex.:
_painis_, _heris_, _chapus_; em _ris_, _batis_, _papis_, _sis_
sse acento distingue tais vocbulos dos seus homgrafos _reis_ (de
_rei_), _bateis_, _papeis_ (de _bater_, _papar_), _sois_ (do verbo
_ser_). Outros exemplos so _bia_, _jia_ (cf. _joio_, com _o_
fechado), _gibia_, _heri(s)_, etc.

XXXIII. Hfen.

Os vocbulos compostos cujos elementos conservam a aua independncia
fontica unem-se por hfen (-) e conservam igualmente a sua acentuao;
ex.: _gua-p_, _pra-raios_, _guarda-p_. O hfen repetir-se h na
linha imediata, quando por le se faa a separao silbica de linha
para linha; ex.: _pra-/-raios_. Quando um dos termos do vocbulo
composto no existe independente em portugus, na sua forma integral,
unem-se os dois elementos sem hfen; ex.: _clarabia_, _fidalgo_. Outro
tanto se far quando a noo do composto se haja perdido, como em
_solfa_, _dezoito_ (_dez-a-oito_).

XXXIV. O hfen ser utilizado tambm nos seguintes casos:

a) Unir os pronomes pessoais enclticos aos respectivos verbos, de que
so complemento; ex.: _louv-lo_, _dev-lo_, _puni-lo_, _d-nos_,
_dou-vos_, _falo-lhes_, etc. A acentuao do verbo mantm-se, como se
no se lhes unissem sses complementos. So erros inadmissveis, mas
muito freqentes, _louval-o_, _devel-o_, _punil-o_, etc.

b) Os advrbios _mal_, _bem_, formando o primeiro elemento de um
composto, unem-se ao segundo elemento por hfen, quando sem le a
soletrao seria errada; ex.: _bem-aventurana_, _mal-logrado_, para que
se no leiam _be maventurana_, _ma logrado_. Este ltimo, todavia, pode
ler-se tambm _malogrado_, pois dizemos _malograr_, _malgro_.

A palavra _aguardente_ formar o seu plural como _aguardentes_; se porm
se preferir separar os dois elementos, _gua-ardente_, o plural ser
_guas-ardentes_.

XXXV. H vocbulos que, sendo derivados, seguem a analogia dos vocbulos
compostos, com os seus elementos unidos por hfen, em terem dois acentos
tnicos dos quais  predominante o segundo; so les os aumentativos e
deminutivos formados com o infixo _z_, e os advrbios derivados com o
sufixo _-mente_. Se os adjectivos ou substantivos de que se formam
terminam em vogal com acento agudo, muda-se ste em acento grave, ex.:
_szinho_, _cafzinho_, _mzona_, etc. Esta mudana tem por causa o
evitar-se que, escrevendo-se _mzona_, por exemplo, se entenda ser a
primeira a slaba predominante. Nos advrbios, porm, formados com o
referido sufixo _-mente_, que antes era um substantivo, a acentuao com
o agudo, ou o circunflexo mantm-se, por no poder dar-se a confuso
apontada: _fcilmente_, _cortsmente_, _smente_.

XXXVI. Apstrofo.

 quasi abolido ste sinal ortogrfico, absolutamente intil para a
leitura, e de introduo relativamente moderna. O seu emprgo limitar-se
h a indicar, principalmente na poesia, a supresso de uma letra, que
usualmente se escreve na prosa, como em _esp'rana_, _mer'cer_,
_par'cer_, _c'roa_, _p'ra_, _'star_, etc. Pode, tambm, usar-se no
interior das dies compostas, quando nelas se faa eliso do _e_ da
preposio _de_, como em _me-d'gua_.

XXXVII. Os pronomes complementos enclticos de verbos escrever-se ho
como nos exemplos seguintes: _tenho-o_, _tem-lo_, _tem-no_, _temo-lo_,
_tende-lo_; _louv-los_, _dev-los_, _uni-los_; _louva-los_, _deve-los_,
_une-los_; _v-mo_, _v-to_, _v-lho_, _v-no-lo_, _dava-vo-lo_,
_vem-se-lhe_, _comprmo-la_, sem se indicar por apstrofo a supresso
de _e_ e de _s_, que  de regra; _tem-lo_, est por _tens-lo_, _v-mo_,
por _v-me-o_. O verbo conserva a acentuao marcada que lhe competiria
sem complementos, e assim  a sua pronunciao.

XXXVIII. Renem-se em uma s dio, sem apstrofo ou hfen, os seguintes
pronomes, precedidos das preposies _a_, _de_, _em_, _por_; _ao(s)_,
_(s)_, _do(s)_, _da(s)_, _quele(s)_, _quela(s)_, _dele(s)_,
_dela(s)_, _dste(s)_, _desta(s)_; _daquele(s)_, _daquela(s)_,
_dsse(s)_, _dessa(s)_; _naquele(s)_, _naquela(s)_, _neste(s)_,
_nesta(s)_, _nesse(s)_, _nessa(s)_; _disto_, _disso_, _daquilo_,
_nisto_, _nisso_, _naquilo_, _noutro_.

Outro tanto acontece com os artigos _o(s)_, _a(s)_, _um_, _uns_,
_uma(s)_, e os advrbios _aqui_, _a_, _ali_, _acol_, _alm_, _onde_;
ex.: _do(s)_, _da(s)_, _pelo(s)_, _pela(s)_, _no(s)_, _na(s)_, _aonde_,
_donde_, _dali_, _da_, _dali_, _dacol_, _dalm_, etc.

Quando porm esses pronomes rejam oraes de infinito, a preposio
conservar-se h inteira e separada; ex.: _por causa de les no
quererem_; _em razo de os no ter visto_.

As demais elises, que no decurso da fala ou da leitura se costumam
fazer, no so indicadas na escrita; no se escrever pois: _d'idade_,
_d'entrada_, mas sim _de idade_, _de entrada_; pelo mesmo motivo por que
se no escreve _vint'e um_, conquanto o _e_ de _vinte_ a se no
profira. So elises e crases que  escusado representar na escrita, e
algumas das quais so facultativas, quer individual, quer
ocasionalmente.

XXXIX. Diviso silbica.

A diviso de um vocbulo qualquer simples em slabas far-se h
fonticamente pela soletrao e no pela separao dos seus elementos de
derivao, composio ou formao, contanto que a dio composta no
tenha os seus elementos apartados por hfen (-). Desta maneira
dividir-se h, por exemplo, _subscrever_, como _subs cre ver_, do mesmo
modo por que a palavra _escrever_ se no divide como _e scre ver_; e
_vezes_, _pastora_, como _vez es_, _pastor a_, mas sim como _ve zes_,
_pasto ra_. Assim, tambm, _di rec o_, _a dop tar_, _su br bios_, _de
sas tra do_, _de sar mar_, _i n bil_, _bi sa v_, _pres tan te_, _cir
cuns tn cia_, etc., etc.

Para a segunda linha e para a soletrao pertencem  vogal que se lhes
segue as consoantes que podem comear palavra; assim teremos _co bra_,
_am plo_, porque temos _bra o_, _pla ga_; _ecli pse_ (cf.
_psicologia_).

XL. Quando o _s_ dos prefixos _des-_, _dis-_,  seguido de consoante
separa-se dela; se depois se lhe segue vogal, pertence a esta, e com ela
forma slaba; ex.: _des fa zer_, _dis tri buir_, mas _de sen ga nar_,
_de sen vol ver_.

XLI. Duas consoantes iguais separam-se; ex.: _ar rastar_, _as sistir_,
_em malar_, _en nastrar_.

XLII. As palavras compostas dividem-se pelos seus componentes; ex.:
_porta-voz_, _vice-almirante_, repetindo-se na linha inferior o hfen.

XLIII. Nos vocbulos formados com o prefixo _ex-_, fica ste separado do
segundo elemento, ao dividir-se ou soletrar-se a palavra; ex.: _ex r ci
to_, _ex ce der_.

XLIV. So inseparveis as letras dos seguintes grupos de consoantes:
_bl_, _cl_, _dl_, _fl_,_gl_, _pl_, _tl_, _vl_; _br_, _cr_, _dr_, _fr_,
_gr_, _pr_, _tr_, _vr_; _ch_, _lh_, _nh_; _sc_, _ps_.

Se, porm, o _s_ se l separado do _c_ no interior do vocbulo, separado
se divide; ex.: _des cer_, _cns ci o_, _pros c nio_; mas _en sce na
o_.

XLV. So igualmente inseparveis duas vogais consecutivas, formem ou no
ditongo; ex.: _ai po_, _cau sa_, _rai nha_, _proe mio_, _goe la_, _poei
ra_, _pro nn cia_, _voar_, _voo_, _ gua_, _moi nho_, _ gua_, _i
guais_, _con ti nua_, _con t nua_, _fa m lia_, _se ria_, _s ria_,
_rea lidade_, _ve culo_.

XLVI. O _u_ depois de _q_ ou _g_  dle inseparvel, quer seja mudo,
quer se profira; ex.: _quin ta_, _guer ra_; _fre qente_, _a gentar_,
_ar gir_.




PRONTURIO ORTOGRFICO


Smula das principais regras que se ho de observar na escrita das
palavras e formas vocabulares portuguesas:

1. O alfabeto portugus consta das seguintes vinte e quatro letras, e de
mais trs, que smente em circunstncias especiais se empregam e aqui
vo includas em parntese curvilneo:

a b c  d e f g h i j (k) l m n o p q[u] r s t u v (w) x (y) z.

2. Alm destas letras, h outros caracteres, que ora so figurados por
duas letras emparceiradas, ora por sinais diacrticos, sobrepostos a
vrias dessas letras. Assim aumentado, o sistema de escrita portuguesa
compe-se de 53 smbolos:

a, , , , ; b; c, , ce (ci), ch; d; e, , , ; f; ge (gi), g, gu,
g; h; i, , ; j; (k); l, lh; m; n, nh; o, , , , ; p; qu, q; r,
rr, s, ss, sc; t; u, , ; v; (w); x; (y); z.

O valor dstes caracteres, excludas as letras _k_, _w_, _y_, est
exemplificado nas palavras seguintes: _par_, _p_, _quela_, _cda_,
_l_; _bobo_; _c_; _praa_, _cela_, _cinta_, _ch_; _dado_; _de_, _s_,
_prgar_, _s_; _foz_; _gema_, _giz_, _ggo_, _guerra_, _agentar_;
_h_; _li_, _fgado_, _fascar_; _j_; _l_; _lhe_; _m_; _n_, _lenha_;
_lado_, _copa_, _p_, _mlhada_, _av_, _pe_; _que_, _freqente_,
_caro_, _r_, _carro_; _s_, _passo_, _scena_, _casa_; _tu_; _fuga_,
_ltimo_, _sadar_; _vu_; _xadrez_, _exame_, _sexo_, _prximo_,
_texto_; _zlo_.

3. Dstes caracteres tem um nico valor e emprgo os nove seguintes:
_b_, _d_, _f_, _j_, _l_, _p_, _qu_, _t_, _v_.

Os outros caracteres variam de valor.

4. _a_: Designa o _a_ aberto quando est na slaba tnica
principalmente, e em slaba tona se est seguido de _l_; ex.: _cabo_,
_faltou_.

5. Fora da slaba tnica denota em geral o _a_ surdo, como _boca_,
_parede_, _camarote_.

O _a_ surdo pode ser tnico, se est antes de consoante nasal, _m_, _n_,
_nh_; ex.: _cama_, _cana_, _manha_, _louvamos_.

6. __: Emprega-se com o valor de _a_ aberto quando seja necessrio
marcar _a_ tnico, isto : na ltima slaba, seguido ou no de _s_; na
penltima, se a ltima no termina em _a(s)_, _e(s)_, _o(s)_, _m_, e na
antepenltima; ex.: _l_, _ser(s)_, _fcil_, _fceis_, _carcter_,
_svel_, _prtica_. Emprega-se tambm para diferenar _pra_ de _para_,
preposio, e na forma verbal do pretrito, 1.^a pessoa do plural,
_louvmos_, para a diferenar da do presente, _louvamos_.

7. __: Designa o _a_ aberto tono em vocbulos que se escrevem com as
mesmas letras, que outros que tem _a_ surdo, e tambm para denotar o
acento secundrio em derivados; ex.: _bada_ (de _aba_; cf. _abada_,
animal), _pzada_, _desbar_.

8. __: Indica o _a_ surdo tnico em vocbulos esdrxulos; ex.: _nimo_,
_cmara_; ou em inteiros terminados em _i_, _u_, vogal nasal, ditongo ou
consoante diferente de _s_; ex.: _cnon_, _mbar_, etc.

9. __: __ nasal em fim de vocbulo, seguido ou no de _s_, e nos
ditongos _e_, _o_; ex.: _l(s)_, _me(s)_; _mo(s)_.

Se no h outro acento no vocbulo, vale por acento tnico; ex.:
_rabo_, a par de _rbo(s)_.

O ditongo _o_ tono, final de formas verbais, escreve-se _am_; ex.:
_louvam_, _louvaram_; cf. _louvaro_, futuro.

Antes de _b_, _p_ e _m_, a vogal nasal __ escreve-se _am_, e antes de
outra consoante, _an_; ex.: _campo_, _lamber_, _emmalar_; _banco_,
_frango_, _canto_, _quando_, _lana_, _nsia_, _rancho_, _laranja_, etc.


10. _ce_, _ci_, _a_, _o_, _cu_: __ escreve-se antes de _a_, _o_, _u_,
_c_ sem cedilha, antes de _e_, _i_; ex.: _faa_, _fao_, _cabeudo_;
_face_, _fcil_, _pao_, _palcio_, _palacete_.

No interior dos vocbulos, corresponde a _ci_, _ti_ latinos, e a _ss_
arbicos, e nisto se diferena do _s_, o qual corresponde a _s_ latino;
ex.: _alar_ (lat. a l t i a r e), _razo_ (lat. r a t i o n e m),
_fao_ (lat. f a c i o), _aafate_, _aafro_, _refece_, _acar_
(arbicos); _pao_, a par de _passo_.

No como da palavra usa-se _s_ por __; ex.: _sapato_.

Em fim de palavra escreve-se _z_ e no __; ex.: _vez_ (lat. u i c e m),
diferente de _vs_ (lat. u i d e s), _arroz_ (arbico).

11. _ch_: Emprega-se como inicial e medial, e nunca como final. Na
pronunciao do idioma culto, e bem assim nos vernculos meridionais,
confunde-se no valor h mais de dois sculos com o _x_ inicial, do qual
se diferena pela origem. Corresponde o _ch_, em geral, a _cl_, _fl_,
_pl_, latinos, e a _ch_ francs nas palavras desta provenincia; ex.:
_chave_ (lat. c l a u e m), _chama_ (lat. f l a m m a), _chuva_ (lat.
p l u u i a), _chapu_ (fr. _chapeau_). Corresponde a _ll_ e a _ch_
castelhanos.

O _ch_ com valor de _k_  substitudo por _qu_ antes de _e_, _i_, e por
_c_ em qualquer outra situao; ex.: _monarca_, _monarquia_, _querubim_,
_cro_, _cloro_, _corografia_, _catecmeno_, _crisol_.

12. _c_: Esta letra emprega-se antes de _a_, _o_, _u_, consoante, ou
como final, rara; ex.: _c_, _cr_, _cume_, _claro_, _cravo_, _faco_,
_Abimlec_, etc.

13. Antes de _e_, _i_,  substituda por _qu_; ex.: _sequeiro_,
_ressequido_, de _sco_.  mudo o _c_ actualmente em muitos vocbulos em
que antes se proferia, e conserva-se quando _a_, _e_, _o_ precedentes
permanecem abertos, e por analogia ainda mesmo que essas vogais sejam
tnicas; ex.: _seco_, _aco_, _activo_, _acto_; _espectculo_,
_espectador_; mas _autor_, _juno_, _junto_, _sano_, _santo_, etc.


14. _e_: Designa em slabas tonas _e_ surdo; ex.: _se_, _de_, _me_,
_te_, _lhe(s)_, _secar_, _remediar_, _lume_, _bere_, _cadveres_, etc.

Vale por _i_ tono antes de vogal, ou de consoante palatal; ex.:
_fealdade_, _teatro_, _beato_, _teor_, _areeiro_, _fessimo_,
_contedo_; _fechar_, _telhal_, _lenhador_, _desejar_. Cumpre recorrer 
etimologia do vocbulo, ou a uma forma primitiva dle, em que o _e_ seja
tnico, para assim o diferenar de _i_; _fealdade_, de _feio_;
_areeiro_, de _areia_; _fechar_, de _fecho_; _telhal_, de _telha_;
_lenhador_ de _lenha_; _desejar_, de _desejo_; _teatro_, _beato_,
_teor_, _contedo_, do lat. t h e a t r u m, b e a t u m, t e n e r e.
Tem tambm sse valor de _i_, como inicial tona; ex.: _evitar_,
_erguer_, _heri_.

15. _e_: vale por _e_ aberto, ou por _e_ fechado, sendo tnico; ex.:
_neve_, _certo_, _der_, _perda_, _ver_; e por _e_ aberto ou fechado,
tono, _relveiro_, _svel_, _carcter_, _cadver_, _seco_, _abdmen_.

16. Vale por __ no sul do pas, antes de consoante palatal e no ditongo
_ei_; ex.: _igreja_, _fecho_, _telha_, _senha_, _lei_.

Em vrias regies ste _e_  proferido como fechado em tal situao;
ex.: _igrja_, _fcho_, _tlha_, _snha_, _li_.

17. __: Denota o _e_ aberto tnico, quando haja de marcar-se a slaba
predominante, isto , como final, seguido ou no de _s_, e nos
esdrxulos; ex.: _mar(s)_, _cdula_. Marca-se igualmente o acento agudo
no _e_ quando a slaba predominante  a penltima e a palavra no
termina em _a(s)_, _e(s)_, _o(s)_, _am_, _em_, e bem assim nos ditongos
_i_, _u_, sempre tnicos; ex.: _ter_, _Vnus_, _frtil_, _frteis_;
_cu_, _escarcu_, _papis_. Sem acento, porm, escreveremos _levam_,
_levem_.

18. __: Indica o _e_ aberto tono, quando se torne necessrio
diferenar homgrafos; ex.: _pgada_, diferente de _pegada_; _prgar_,
de _pregar_.

19. __: Designa o _e_ fechado tnico, quando seja de regra marc-lo com
acento; ex.: _merc(s)_, _v(s)_, _smea_, _Zzere_, _pssego_,
_concntrico_, _Estvo_, etc.

20. O _e_ nasal nunca termina vocbulo no idioma comum, em que 
substitudo pelo ditongo nasal _em_, _ens_ (_[~e]i)s)_, o qual se
acentua quando  tnico final de polisslabos; ex.: _vintm_, _vintns_;
_contm_, _contns_; _parabns_.

21. No princpio e meio das palavras o _e_ nasal escreve-se com _em_
antes de _b_, _p_, _m_, e com _en_, em qualquer outra situao; inicial
tono profere-se como _im_, _in_; ex.: _membro_, _tempo_; _encher_,
_entrar_, _encho_, _entro_; _entender_, _entendo_; _empregar_,
_emprgo_.

22. _g_: O _g_, para designar a consoante sonora correspondente ao _c_,
escreve-se em qualquer situao, excepto antes de _e_, _i_; ex.: _gago_,
_glacirio_, _grade_, _digno_, _fragmento_, e raras vezes como final,
_Gog_, _Magog_. Suprime-se quando se no profere; dste modo,
escreveremos: _assinar_, _Incio_, _Ins_, _aumento_, etc.

Antes de _e_, _i_ acrescenta-se-lhe _u_ (_gu_); ex.: _seguir_, _guerra_,
_ligue_, _aguilhoar_.

Se sse _u_ se profere tono, marca-se com acento grave: _agentar_,
_argir_, _argente_; se  tnico, com o acento agudo, _argi_.


23. _ge_, _gi_: tem o mesmo valor que o _j_ e escreve-se em lugar dste,
quando a etimologia ou a analogia o pedem; ex.: _gente_, _lgica_. Nos
derivados de primitivos em _ja_, _jo_, _ju_ permanece o _j_ antes de
_e_, _i_; ex.: _laranja_, _laranjeira_; _loja_, _lojista_.

O _g_ etimolgico muda-se em _j_ antes de _a_, _o_, _u_; ex.: _reger_,
_rejo_, _reja_; _fugir_, _fujo_, _fuja_.


24. _h_:  mudo quando inicial, e escreve-se quando a etimologia do
vocbulo o justifica; ex.: _homem_, _humano_, _herdar_, e portanto
_ombro_, _ontem_, em que a etimologia o no explica; _iate_, e no
_hiate_.

O _h_ medial desaparece, mesmo nos vocbulos em que le como inicial
figura; ex.: _desumano_, _deserdar_, e com maior razo em _inibir_,
_inbil_, _filarmnica_, em que daria causa a sua presena a errada
leitura; outros exemplos so _cobir_, _sair_, _compreender_, _desonra_,
_exibir_, etc.

25. O _h_, como sinal diacrtico, junta-se a _c_, _l_ e _n_ para
designar os sons que as palavras seguintes exemplificam: _chave_,
_frecha_, _selha_, _moinho_.

26. O _h_, depois de _t_, _r_ ou _c_ com o valor de _k_  proscrito;
dste modo escreveremos _teatro_, _retrica_, _corografia_. Suprimido 
igualmente o _h_ final, como em _Sara_, _raja_, ou _raj_, e s se
admite em tal situao nas interjeies, como _ah!_ _oh!_, etc.


27. _i_: Emprega-se como tono, e como tnico; ex.: _finssimo_,
_qusi_, _virar_, _vira_, etc.

28. Numa srie de slabas, cuja vogal seja sempre _i_, e o vocbulo no
seja imperfeito ou condicional de verbo, superlativo, ou deminutivo,
smente o ltimo _i_ conserva, em geral, na pronncia desafectada, o seu
valor; os mais que o precedem proferem-se como _e_ mudo, se a consoante
seguinte no  palatal (_x_, _j_, _lh_, _nh_, _s_ + consoante); ex.:
_dividir_, _dividia_, _dividiria_, que se pronunciam _devedir_,
_devedia_, _devediria_; _ministro_, que se pronuncia _menistro_;
_ministrio_, que se pronuncia _menistrio_; _militar_, que se pronuncia
_melitar_. Para se evitarem erros de ortografia,  preciso atender 
etimologia dos vocbulos, e, quando possvel, a uma forma em que o _i_
seja tnico, como em _divide_.

29. H dois prefixos de valor diferente, que cumpre diversificar na
escrita: _des-_ e _dis-_. O primeiro  negativo ou privativo, como em
_desfazer_, _destingir_, _destinto_; o segundo distributivo, como em
_dispersar_, _distinguir_, _distinto_, _disjungir_, _discernimento_,
_distrbio_, etc.

30. __: Designa o _i_ tnico, quando as regras de acentuao grfica
exijam a marcao; ex.: _frgido_, _Vtor_, _fssil_, _difcil_,
_difceis_, _fugeis_, _tnheis_, _fugiramos_, _fugreis_, _fugireis_,
etc.

31. Com acento agudo se marca o _i_ tnico que no forma ditongo com a
vogal anterior; ex.: _sada_, _sa_, _a_, _pas_, _pases_, _razes_.

Antes de _nh_, _nd_, _mb_, pode dispensar-se o acento; ex.: _ranha_,
_anda_, _Combra_, ou _rainha_, _ainda_, _Coimbra_; pode tambm
dispensar-se antes de consoante final que no seja _s_; ex.: _raiz_,
_sair_; mas _razes_, _sares_, porque o _z_ e o _r_ pertencem a outra
slaba.

32. __: Quando o _i_ que no forma ditongo com a vogal antecedente 
tono, pode marcar-se com o acento grave; ex.: _samento_, _probir_,
_pasagem_.

33. O _i_ nasal escreve-se com _im_ antes de _b_, _p_, _m_, ou quando
final, _in_ em qualquer outra situao; ex.; _limbo_, _limpar_, _fim_,
_fins_, _findar_, _afinco_, _linfa_, _ninfa_, etc.


34. _j_: O _j_ escreve-se antes de _a_, _o_, _u_, _e_, _i_, e antes
destas duas ltimas vogais, quando a etimologia no justifica o emprgo
de _g_; ex.: _j_, _jia_, _jbilo_; _veja_, _vejo_; _lojista_,
_laranjeira_, _arranjar_, _arranje_; _Jerusalm_, _Jesus_.


35. _m_: Alm do seu valor como inicial, ex.: _mal_, _tomar_, etc., o
_m_ designa as vogais nasais finais _im_, _om_, _um_, por exemplo, em
_marfim_, _som_, _jejum_, e o ditongo nasal _em_, como em _cecm_,
_bem_, _devem_, _margem_. O _m_ muda-se em _n_ ao acrescentar-se _s_;
ex.: _marfins_, _sons_, _jejuns_, _cecns_, _bens_, _margens_.

36. _m_: Expressa com _a_ (_am_) o ditongo _o_ tono de formas verbais;
ex.: _louvam_, _louvaram_.

37. _m_: Denota qualquer vogal nasal inicial ou medial antes de _b_,
_p_, _m_; ex.: _embora_, _empada_, _emmalar_, _bambo_, _mbolo_,
_campo_, _sempre_, _limpo_, _comprar_, _sumptuoso_.


38. _n_: Alm do seu valor como inicial de slaba, como em _nau_,
_neve_, _nitro_, _nove_, _nuvem_, _cana_, _pena_, _bonito_, _nono_,
_canudo_, etc., designa as vogais nasais, quando est seguido de
consoante que no seja _b_, _p_, _m_, ou a vogal no  final de
vocbulo; ex.: _lana_, _leno_, _cinto_, _ona_, _funcho_, _fins_,
_sons_, _jejuns_. Com _e_ designa tambm o ditongo nasal _[~e]i_, quando
se lhe segue _s_ final: ex.: _nuvens_, _armazns_, _tens_, _bens_.

39. _nn_: Emprega-se no prefixo _en_, antes de _n_ do vocbulo a que se
junta; ex.: _ennodoar_, de _ndoa_, _ennastrar_, de _nastro_.

40. _nh_: Denota nicamente a nasal palatal que se observa em _manh_,
_lenha_, _linho_, _vergonha_, _pezunho_; e conseguintemente escrever-se
h _inbil_, _inumano_, _inibir_, sem _h_.


41. _o_: Esta letra tem os seguintes valores.

tona vale por _u_; ex.: _lado_, _dolo_, _faro_, _proteger_, _comum_,
_fortuna_. A escolha entre _o_ e _u_, para expressar ste som, depende
da origem; assim escreve-se _formosura_, de _formoso_, de _forma_;
_portaria_, de _porta_; _monumento_ (do lat. m o n u m e n t u m;
_govrno_ (do lat. pop. g o b e r n u m, lit. g [)u] b e r n _u m);
rotunda (lat. r o t u n d a); _goraz_ (lat. u o r a c e m); etc.

42. _o_: Expressa o _o_ aberto, como em _toca_, _volta_, _poste_, etc.,
quando  tnico, e tono em certas condies, como _adoptar_,
_nocturno_, isto , seguido de _p_ ou _c_ na mesma slaba, quer essas
consoantes se profiram, como em _optar_, _coco_, quer sejam mudas.

43. _o_: Designa _o_ fechado tnico, como em _bolo_, _boca_, ou tono
como em _horrvel_, _cnon_, e _o_ tono antes de _l_, como em _voltar_,
_soldado_.

44. __: Denota o _o_ aberto, quando a acentuao grfica  de regra;
ex.: _av_, _hipdromo_, _rfo(s)_, _ss_, _vs_, _mvel_, _mveis_,
_mbil_, _cmodo_, etc.

45. __: Serve para designar _o_ aberto tono em homgrafos, como
_mlhada_, diferente de _molhada_, e ainda para expressar o acento
secundrio de palavras que tenham dois, como _pzinho_, _szinho_, etc.

46. __; Designa o _o_ fechado tnico, quando as regras de acentuao
grfica o exijam; ex.: _av(s)_, _cr_ (cf. _cor_), _pde_ (cf. _pode_),
_sbre_ (cf. _sobre_), _frma_ (cf. _forma_), _lgro_ (cf. _logro_),
_lbrego_, _sfrego_.


47. Cumpre no confundir na escrita _o_ fechado com o ditongo _ou_, que
se mantm distinto nos falares provinciais; assim _osso_ substantivo
escrever-se h com _o_, mas _ouo_ verbo, com _ou_.

48. _ou_: Este ditongo tem por origem _au_ arbico, como em _aougue_,
_au_ latino, como em _touro_, _oc_, _ap_, _al_, latinos, como em
_noute_, _toutio_, _outeiro_. Em geral alterna com o ditongo _oi_,
sendo lcito, em grande nmero de vocbulos, empregar-se um ou o outro.

49. __: Esta letra usa-se nicamente no ditongo nasal _e_, como
_pe(s)_, _lies_. O _o_ nasal, fora dste caso nico,  escrito com
_om_, se  final ou est antes de _b_, _p_, _m_, e com _on_ em qualquer
outra condio; ex.: _som_, _romper_, _rombo_, _emmolhar_; _sons_,
_contar_, _confiar_, _conchegar_, _esponja_, _fonte_, _bondade_,
_cnscio_, _nfale_, etc.


50. _p_: Esta letra no se duplica. Conserva-se o _p_ mudo depois das
vogais _a_, _e_, _o_ tonas, quando essas vogais permanecem abertas,
como em _adopo_, _recepo_, _exceptuar_. Conserva-se ainda o _p_, se
essas vogais so tnicas, em vocbulos aparentados, como _excepto_,
_adopto_. Depois de outra qualquer vogal suprime-se o _p_ etimolgico,
se no  proferido; ex.: _pronto_, _assunto_, _assuno_, _cinto_.

51. O _ph_ etimolgico  em todas as circunstncias substitudo por _f_;
ex.: _fsica_, _tifo_, _filtro_, _profeta_.


52. _qu_: A letra _q_  sempre seguida de _u_, o qual  marcado com
acento grave (__) antes de _e_, _i_, se  proferido; ex.: _quente_,
_quinta_; _freqncia_, _eqestre_, _eqidade_. Antes de _a_, _o_, _u_,
se o _u_ de _qu_  mudo, substitui-se ste grupo por _c_; ex.:
_catorze_, de q u a t o r d e c i m, como _caderno_, de
q u a t e r n u m; _cota_, de q u o t a, como _licor_, de
l i q u o r e m. Se o _u_  proferido antes de _a_, _o_, _u_,
conserva-se o grupo _qu_, sem acento no _u_; _quatro_, _aquoso_.


53. _r_, _rr_: o _r_ forte escreve-se com _r_ simples quando  inicial
de palavra, ou de slaba depois de consoante; ex.: _r_, _r_, _rio_,
_rol_, _rumo_, _honra_, _pilriteiro_, _Israel_, etc. Entre vogais
duplica-se; ex.: _carrada_, _carreta_, _carril_, _carro_, _arrumar_,
_farrusca_.

54. Quando a um vocbulo comeado por _r_ se acrescenta um prefixo
terminado em vogal, dobra-se o _r_, por ficar entre vogais, para se lhe
manter o valor de inicial; ex.: _arrasar_, de _raso_; _arrostar_, de
_rosto_; _prorrogar_, _derrogar_, de _rogar_; _corroer_, de _roer_.

55. O _r_ brando, que smente se manifesfa em fim de slaba, ou entre
vogais, ou depois de consoante pertencente  mesma slaba, escreve-se
com _r_ simples; ex.: _dar_, _pr_, _ver_, _vir_, _virtude_, _verdade_,
_vrtice_, _louvar_, _dever_, _punir_, _cravo_, _fresco_, _frigir_,
_crtalo_, _frustrar_; _cara_, _fera_, _lira_, _amora_, _parada_,
_sereno_, _sarilho_, _caroo_, _caruma_.


56. O _s_ surdo assim se escreve como inicial de palavra, ou depois de
consoante, se  inicial de slaba; ex.: _saco_, _s_, _sirga_, _s_,_
sul_, _nsia_, _falso_, _farsa_, _lapso_, _psicologia_, _absorver_.
Inicial antes de _e_, _i_, e depois da consoante, nas mesmas condies,
alterna com _ce_, _ci_, e smente a etimologia dos vocbulos, ou um
vocabulrio, ensinam a verdadeira escrita. O _s_ corresponde a _s_
latino, o _c(e)_,_ c(i_) a _ti_, _ci_ latinos, e a _ss_ arbicos; ex.:
_sela_, _silvo_, _selha_, _persistir_, _canseira_, _alicerce_,
_Alccer_, etc.

57. Entre vogais o _s_ surdo duplica-se, _ss_, e neste caso alterna com
__ cedilhado, e com _ce_, _ci_, nas mesmas circunstncias de
provenincia dos vocbulos; ex.: _assar_, _assente_, _assduo_, _posso_,
_assumir_, _sossgo_, _passo_, de p a s s u m (cf. _pao_, de
p a l a t i u m), etc.

58. O _s_ sonoro s se manifesta entre vogais, usualmente, e nesta
posio alterna com _z_, correspondendo porm sempre a _s_ latino; ex.:
_casa_, _Csar_, _ms(es)_, _residir_, _formoso_, _uso_. Conquanto
depois de consoante, o _s_  sonoro no prefixo _trans-_ seguido de
vogal, como em _transente_, _transaco_, em _obsquio_ e seus
derivados, e num ou noutro vocbulo, precedido de consoante sonora.

59. H duas terminaes de substantivos que no devem confundir-se:
_-eza_, do lat. _-itia_, e _-esa_, do lat. _-ensa_;  esta que se
escreve com _s_, como em _defesa_, _devesa_, _presa_, _despesa_,
_portuguesa_, etc. Semelhantemente, escreveremos _asa_, do lat. a n s a,
_brasa_, em castelhano _brasa_.

60. Quando a um radical, ou a um vocbulo, comeados por _s_, se
acrescenta um prefixo terminado em vogal, duplica-se o _s_ se le se
profere surdo, escreve-se simples, se  pronunciado sonoro; ex:
_assistir_, _assombrar_, _assumir_, _ressurgir_, _pressentir_; mas
_residir_, _presente_, _resumir_, _resignao_, _presuno_, etc.

61. O _s_ final de slaba, seja como for proferido, escreve-se com _s_;
ex.: _custa_, _cesta_, _resma_, _abismo_, _hspede_, _fosco_,
_balastre_, _lustre_, _musgo_.

62. O _s_ final de slaba, em monosslabos e em polisslabos que tenham
como predominante a ltima slaba, alterna com _z_, correspondendo porm
sempre a _s_ latino, e permanece ainda quando, pela derivao ou flexo
do vocbulo, se lhe acrescenta uma slaba, de que fica sendo inicial;
ex.: _portugus_, _portuguesa_, _portugueses_, _corts_, _corteses_,
_cortesia_, _atrs_, _vs_ (verbo), _vs_, _ns_ (pronomes), _pus_
(substantivo e verbo), _ps_ (verbo), _ps_ (substantivo), _pusera_,
_puser_, _pusesse_, etc. Em um nico vocbulo arbico, rs,  o _s_
final rabe representado por _s_, como em castelhano (_res_).

A consulta a vocabulrio  indispensvel e muito favorece o acrto na
escrita a comparao com as correspondentes formas castelhanas.

63. O _s_ inicial surdo  seguido de _c_ nos seguintes vocbulos e seus
derivados: _scena_, _scetro_, _scptico_, _scelerado_, _sciente_,
_scisma_, _scintila_, _scisso_, _sciso_, _scissura_, _scissparo_,
_scitico_, e um ou outro mais, pouco usados.


64. _t_: o _t_ nunca se duplica, expressa constantemente o mesmo som, e
substitui em todos os casos o _th_ etimolgico; ex.: _ter_, _atitude_,
_meter_, _teto_; _teatro_, _patolgico_, _simpatia_, _etnografia_, etc.


65. _u_: Esta letra expressa sempre o mesmo som, mais ou menos atenuado
antes e depois de vogal, como elemento fraco dos ditongos; ex.: _tu_,
_pueril_, _auto_. Antes de vogal alterna, tono, com _o_ nas mesmas
condies e s a analogia e a etimologia doa vocbulos decidem da
escrita correcta; ex.: _suar_ (e _soar_), _muar_, _runa_, etc. Depois
de consoantes alterna igualmente com _o_ tono; ex.: _mural_ de _muro_,
a par de _moral_ do lat. m o r e s; _tunante_, de _tuna_, _tonante_,
lat. t o n a n t e m.

66. __: Representa esta letra acentuada o _u_ tnico, quando as regras
de acentuao grfica o exigem; ex.: _nico_, _nncio_, _sade_,
_til_,_argi_.

67. __: O _u_ com acento grave indica no fazer ditongo com a vogal
anterior, sendo tono; ex.: _sadar_. Designa tambm o _u_ proferido dos
grupos _qu_, _gu_; ex.: _argir_, _freqente_.

68. _x_: Esta letra tem cinco valores no idioma comum e literrio; so
os seguintes:

1.^o Como inicial--_xadrez_, _caixa_.

2.^o Como _ss_--_auxlio_, _prximo_.

3.^o Como _s_--_mixto_, _Flix_.

4.^o Como _cs_; _cx_--_fixo_, _sexo_; _crtex_, _slex_.

5.^o Como _(e)is_--_exame_, _xito_, _texto_.

Nas palavras de origem arbica, e quando  inicial, tem sempre o
primeiro valor; ex.: _xabouco_, _axorca_, _xarope_, _elixir_; _Xerxes_,
_Xenofonte_, etc.

69. Alm desta multiplicidade de valores, alterna, com relao ao
primeiro, com o grupo _ch_, o qual, como j se disse, representa _cl_,
_fl_, _pl_ latinos; assim, temos; _x_ (rei) e _ch_ (planta), _xeque_
(regedor) e _cheque_ (bilhete de banco), _buxo_, lat. b u x u m
(planta), e _bucho_, lat. m u s c ' l u m (estmago e msculo).

A consulta ao VOCABULRIO  indispensvel para o emprgo de qualquer
dstes dois smbolos, actualmente equivalentes no valor.


70. _z_: Como inicial, ou depois de consoante, expressa o mesmo som que
se ouve em _zlo_, _azeite_, _zurzir_. Os vocbulos formados com o
prefixo _trans-_, e a palavra _obsquio_ e seus derivados, todavia,
escrevem-se com _s_, que representa _s_ latino, como em _transir_,
_trnsito_, _transaco_.

71. O _z_ entre vogais corresponde a _z_, a _ti_, e a _ce_, _ci_
latinos, como em _baptisar_, _razo_, _fazer_, _vazio_, e nisto se
diferena do _s_ entre vogais que a _s_ latino corresponde. Os sufixos
_-izar_, _-izante_, etc., escrevem-se sempre com _z_, como em
_anarquizar_, _judazante_; _analisar_, porm, porque provm de
_anlise_, tem _s_ e no _z_; _horizonte z_ e no _s_. Em palavras de
origem arbica  _z_ e no _s_ que se escreve; ex.: _azarola_, _azeite_,
_azougue_. O sufixo _-eza_, como proveniente de _-itia_ latino, tem _z_;
mas das terminaes _ansa_, _ensa_, latinas, procedem os vocbulos e as
formas _asa_, _defesa_, _presa_, etc.

O recurso ao VOCABULRIO  de necessidade para os casos duvidosos, como
o  para a hiptese seguinte.

72. O _z_ final de palavra cuja ltima slaba seja a predominante, bem
como o de vrios monosslabos, alterna com _s_, e tem o valor dste no
idioma literrio e comum.

Deve ter-se em ateno que o _s_ corresponde sempre a _s_ latino, e o
_z_ a _c_ latino e a _ss_ ou _zz_ arbicos; assim teremos: _luz_, _voz_,
_falaz_, _feliz_, _atroz_, _vez_, _capuz_, _faz_, _fz_, de origem
latina, _algoz_, _alcatraz_, _albornoz_, de origem arbica; a nica
excepo  _rs_, como j se disse.

73. Nos patronmicos as terminaes _es_, _s_, conquanto provenientes de
_ici_ latino, escrever-se ho com _s_, porque na sua maioria o sufixo
portugus  tono; ex.: _Rodrigues_, _Nunes_, _Gonalves_; _Dias_;
_Martins_, _Miguis_; etc. Semelhantemente,  substitudo por _s_ um
antigo _z_ final de slaba, como em _mesquinho_, _mesquita_, _visconde_,
etc.


74. _k_, _w_, _y_. Estas tres letras, proscritas do abecedrio
portugus, smente so admitidas na escrita de vocbulos estrangeiros,
como _Kant_, _Darwin_, _Byron_, e nos seus derivados portugueses, como
_kantismo_, _darwinismo_, byroniano, que podem todavia ser escritos
_cantismo_, _darunismo_, _baironiano_.


75. Escrever-se ho iniciais maisculas em meio de perodos ou oraes
gramaticais, nos seguintes casos:

a) Nomes prprios de pessoas ou lugares, ruas, etc.;

b) Nomes colectivos designando cargos, em substituio das pessoas que
os desempenham; ex.: _Estado_, _Govrno_, _Companhia das guas_, _Centro
Comercial_, _Patriarcado_, _Cria_, etc.;

c) Individualidades que exercem importantes cargos: _Ministro da
Marinha_, _Presidente_, _Juiz_, etc.;

d) Reparties pblicas: _Direco Geral das Colnias_, _Ministrio da
Guerra_, etc.;

e) Nomes de astros, divindades: _Vnus_, _Terra_, _Sol_, etc.;

f) Nomes dos meses, nas datas;

g) Ttulos de livros, excepto as partculas monossilbicas, que se
escrevero com minsculas.


76. Hifen (-).

ste sinal prende os vocbulos compostos, quando os seus elementos,
conservando a acentuao prpria, perdem em parte a sua significao
primordial; ex.: _me-d'agua_, _porta-bandeira_, _gua-forte_,
_franco-russo_, _madre-prola_, etc.

77. O hfen une tambm os pronomes complementos tonos aos verbos de que
dependem, quando so colocados depois dstes; ex.: _dou-te_, _dou-to_,
_ds-mo_, _louv-lo_, _louva-lo_, _louvam-no_, _louva-o_, _tenho-o_,
_tem-lo_, _tem-no_, _dvamovo-lo_, _deram-se_, _deu-se-lhes_, etc.

78. Quando, em fim de linha, se parte um vocbulo inteiro, parte-se
igualmente o hfen, isto , repete-se na linha seguinte, se unia os
elementos de uma dio composta; ex.: _porta-/-voz_, _dou-/-to_.

79. O hifen (-), com o nome de linha divisria, divide, de uma para
outra linha, as slabas de uma palavra; ex.: _pas-/ta_, _do-/res_,
_ve-/zes_, _parti-/cular_, _di-/gnidade_, _subs-/tncia_.


80. Pontos de interrogao (?) e exclamao (!).

 imitao da ortografia espanhola,  conveniente assinalar com stes
pontos o principio de uma orao interrogativa ou exclamativa,
invertendo-os, todas as vezes que ela excede quatro ou cinco palavras,
para que essa orao seja logo devidamente entoada; ex.: _Quando
soubeste que a tua famlia chegava de fora hoje?_


81. Acentuao grfica.

A rigorosa acentuao grfica das palavras portuguesas deve satisfazer
s condies seguintes:

1.^a Indicar, com a maior segurana para quem l, quais so os vocbulos
tonos e quais os tnicos, e nestes qual seja a slaba predominante,
quando tenham mais de uma;

2.^a Diferenar entre si vocbulos que se escrevem com as mesmas letras,
mas divergem na pronncia e na significao, ou funo gramatical,

82. Os vocbulos portugueses so: de uma slaba, monosslabos; de duas,
disslabos; de mais de duas, polisslabos; ex.: _p_, _pra_, _parada_.

83. H nos monosslabos e disslabos vocbulos tnicos, _d_, _pra_, e
vocbulos tonos, _da_, _para_.

84. Os dissilabos tnicos podem ter como slaba predominante a primeira,
_mares_, ou a segunda, _mars_; os polisslabos podem ter como
predominante a ltima, _falar_, a penltima, _falara_, ou
antepenltima, _falramos_. Os vocbulos cuja ltima silaba  a
predominante denominam-se agudos ou oxtonos; se a silaba predominante 
a penltima, dizem-se graves, inteiros, ou paroxtonos; se a
predominante  antepenltima, recebem o nome de esdrxulos, ou
proparoxtonos.

85. Nenhum vocbulo portugus, de per si, pode ter como slaba
predominante qualquer outra antes da antepenltima, conquanto haja
dies formadas por linguagens verbais acompanhadas de pronomes, a elas
unidos por hfen (-), em que a slaba predominante, que  a da forma
verbal, fica sendo a quarta ou a quinta a contar do fim; ex.:
_dvamos-to_, _dvamo-vo-lo_. Tais dies em nada modificam na escrita a
acentuao grfica da forma verbal, a qual permanece.

86. A slaba tnica, quando se torna necessrio indic-la na escrita,
assinala-se com o acento agudo (') sbre a vogal dominante dela, se esta
 _a_, _e_, _o_ abertos, _i_ ou _u_; com o acento circunflexo (^), se 
_a_, _e_, _o_ fechados. O til vale por acento tnico, se outro no est
marcado no vocbulo; ex.: _far_, _mar_, _portal_, _difcil_, _til_;
_cmara_, _merc_, _av_, _nsia_, _indulgncia_, _brnzeo_, _fmbria_,
_nncio_; _varo_, _ma_, _capites_; _rgo_, _rf_; _muncipe_.

87. Outro acento, o grave (`), serve para designar, quando seja
necessrio ou conveniente  correcta pronunciao de um vocbulo ou
forma verbal, o valor alfabtico de qualquer das vogais _a_, _e_, _o_,
_i_, _u_, independentemente de serem tnicas, e principalmente quando o
no so; ex.: __, _pgada_, _mlhada_, _fascar_, _sadar_.


88. Estabelecidas estas premissas, pode preceituar-se uma rigorosa
acentuao grfica, inteiramente sistemtica, a qual, sem ser profusa ou
ociosa, deixe bem patentes os factos apontados, quer seja expressa, quer
omissa a sua notao.


89. Vocbulos no acentuados grficamente.

a) Monosslabos e disslabos tonos: _o(s)_, _a(s)_, _lo(s)_, _la(s)_,
_no(s)_, _na(s)_, _do(s)_, _da(s)_, _ao(s)_, _pelo(s)_, _pela(s)_,
_polo(s)_, _pola(s)_, _me_, _mo(s)_, _ma(s)_, _te_, _to(s)_, _ta(s)_,
_lhe(s)_, _nos_, _no-lo(s)_, _no-la(s)_, _vo-lo(s)_, _vo-la(s)_,
_lho(s)_, _lha(s)_; _se_, _de_, _por_, _sem_, _sob_, _com_, _ma_s,
_que_, _porque_, _tam_ (abreviatura de _tanto_), _sam_ (abreviatura de
_santo_), etc.

b) Monosslabos tnicos terminados em _em_, _ens_: _bem_, _bens_, _tem_,
_tens_, _cem_.

c) Formas verbais em _am_, _em_, com a penltima slaba como
predominante, e substantivos dissilbicos e polissilbicos em _em_,
_ens_, nas mesmas condies: _louvam_, _louvaram_, _louvem_, _contem_
(do verbo _contar_); _viagem_, _viagens_, _ferrugem_, _ferrugens_, etc.

d) Monosslabos e disslabos tnicos, e polisslabos, terminados em _i_,
_u_, vogal nasal, ditongo, seguidos, ou no, de _s_, e os terminados em
outra qualquer consoante, todos les oxtonos: _vi(s)_, _javali(s)_,
_cru(s)_, _peru(s)_, _l(s)_, _ma(s)_, _sai(s)_, _arrais_, _mau(s)_,
_sarau(s)_; _som_, _sons_, _atum_, _atuns_; _mar_, _der_, _ser_, _dor_,
_mal_, _canal_, _painel_, _funil_, _farol_, _azul_; _mo(s)_, _varo_,
_vares_, _cruz_, _Artur_, etc.

e) Os disslabos e polisslabos terminados em _a(s)_, _e(s)_, _o(s)_,
cuja penltima slaba seja a predominante; ex.: _casa(s)_, _camada(s)_,
_camarada(s)_, _trave(s)_, _parede(s)_, vicissitude(s), _desaire(s)_,
_modo(s)_, _devoto(s)_, _lume(s)_, etc.

Estas espcies compreendem a maioria dos vocbulos portugueses,
incluindo-se tambm nelas as mais das formas verbais, como _louvo_,
_louva(s)_, _louve(s)_, _louvava(s)_, _louvara(s)_, _louvaria(s)_,
_louvares_, _louvarei(s)_.

90. Vocbulos acentuados grficamente, _cantar_, _cantai_, fazer, fazei,
fazendo sentir, sentiro, sentis, etc.

a) Monosslabos, disslabos e polisslabos terminados em _a(s)_, _e(s)_
e _o(s)_, como slaba predominante, isto , agudos, oxtonos; ex.:
_p(s)_, _s(s)_, _v(s)_, _ms_, _p(s)_, _ps_, _far(s)_, _mar(s)_,
_merc(s)_, _av(s)_, _av(s)_, _alvar(s)_, _jacar(s)_, _portugus_,
_portal(s)_, etc.

b) Disslabos e polisslabos terminados em _em_, _ens_, cuja slaba
predominante seja a ltima; ex.: _vintm_, _armazm_, _vintns_,
_armazns_, _contm_, _contns_ (do verbo _conter_), _porm_,
_Jerusalm_, Belm, etc.

c) Disslabos e polisslabos terminados em _i_, _u_, vogal nasal,
ditongo, seguidos, ou no, de _s_, ou em outra qualquer consoante,
quando a slaba predominante seja a penltima; ex: _qusi_, _Vnus_,
_rf(s)_, _rfo(s)_, _louvveis_, _louvreis_, _fcil_, _fceis_,
_txtil_, _txteis_, _cnsul_, _svel_, _sveis_, _cadver_, _ter_,
_mrtir_, _sror_, _alcar_, _Sfar_, _acar_, _grmen_, _lquen_,
_Flix_, _crtex_, _slex_, etc.

d) Os ditongos, sempre tnicos, _i_, _u_, _i_, com _e_, _o_ abertos;
ex.: _ris_, _batis_ (cf. _reis_, _bateis_), _vu(s)_, _chapu(s)_,
_sis_ (cf. _sois_, verbo), _ris_, _heri(s)_, _jia_, _gibia_, etc.

e) O _a_ da terminao _-mos_ da 1.^a pessoa do plural do pretrito,
para a diferenar de igual pessoa do presente; ex.: _louvmos_ (cf.
_louvamos_=_louvmos_).

f) Os seguintes monosslabos e disslabos tnicos, para se diferenarem
de outros homgrafos tonos: _qu_, _porqu_, _pr_ (cf. _por_
preposio), _pra_ (cf. _para_, preposio); _pra_ (cf. _pera_,
_p'ra_, preposio), _pla_, _plo_, _plo_ (cf. _pelo_, _pela_,
preposio _per_ e artigo _lo_, _la_), _plo_ (cf. _polo_, preposio
_por_ e artigo _lo_).

g) Todos os vocbulos esdrxulos, isto , que tenham como slaba
predominante a antepenltima; ex.: _prtica_; _nimo_, _nsia_;
_frvido_, _gnero_, _gmeo_, _gnio_; _pssego_, _fmea_,
_concntrico_, _tsico_, _tirocnio_, _fmbria_; _prximo_, _prprio_,
_antimnio_; _lbrego_, _brnzeo_; _bere_, _lgubre_, _nico_,
_nncio_; _cadveres_, _rvore(s)_, _multplice(s)_, _mltiplo(s)_,
_qudruplo(s)_, etc.

Assim tambm as formas verbais esdrxulas, tais como _louvvamos_,
_louvramos_, _louvaramos_, _devamos_, _devramos_, _deveramos_,
_punamos_, _punramos_, _puniramos_, _louvssemos_, _devssemos_,
_punssemos_, _sassemos_, _fizssemos_, etc.

h) Marcam-se com o acento circunflexo os _ee_ e _oo_ fechados de
vocbulos paroxtonos terminados em _o(s)_, _e(s)_, _o(s)_ fechados,
quando haja outros, escritos com as mesmas letras, em que essas vogais
sejam abertas; ex.: _rgo_, _rgo_, substantivos, a par de _rego_,
_rogo_, verbos; _dmos_, presente, a par de _demos_, pretrito, _sde_,
_crte_, _cr_, _mdo_, a par de _sede_, _corte_, _cor_, _medo_, com
_e_, _o_ abertos, etc.

i) Marcam-se com o acento agudo (') o _i_ e o _u_ que no formem ditongo
com a vogal anterior; ex.: _pas_, _sada_, _fasca_, _Tageto_,
_sade_, _balastre_, _ba_, etc.

j) Se o _i_ ou _u_, que no forma ditongo com a vogal precedente, 
tono, em vez do acento agudo, usa-se o grave (`); ex.: _samento_,
_pasagem_, _sadar_, _abalado_;

l) O acento grave designa tambm o _u_ dos grupos _qu_, _gu_, se 
proferido; ex.: _conseqncia_, _agentar_, _argir_. Muda-se em agudo
se sse _u_  a vogal predominante, _argi_; cf. _argi_, pretrito;

m) Emprega-se igualmente o acento grave para denotar que _a_, _e_, _o_
tonos so abertos, quando haja homgrafos, em que eles sejam surdos;
ex. __, e _a_; _quele(s)_, _quela(s)_, e _aquele(s)_, _aquela(s)_;
_parte_, substantivo, e _aparte_, verbo; _prgar_, e _pregar_, de
_prego_; _mlhada_, de _molho_, e _molhada_, de _molhar_.


91. O acento distintivo (^), que assinala as vogais fechadas __, __,
s tem aplicao, tanto nos monosslabos, como nos disslabos ou
polisslabos, se existe homgrafo, isto , vocbulo escrito com as
mesmas letras, de que haja de diferenar-se; pode portanto omitir-se em
_dor_, _poo_, _cera_, por exemplo, porque no existem, as palavras
_dr_, _cra_, e _psso_, verbo, j se diferena de _poo_ em
escrever-se com _ss_.

92. Semelhantemente, a acentuao grfica omite-se logo que, pela flexo
dos vocbulos, deixam de existir as condies que a determinaram. Dste
modo, se temos de acentuar graficamente _sco_, _sca_, _lgro_ para os
diferenar das correspondentes formas verbais _seco_, _seca_, _logro_,
com _e_, _o_ abertos, a acentuao torna-se intil no plural daqueles
nomes masculinos, _secos_, _logros_, mas ter de manter-se em _scas_,
em razo da forma verbal _secas_. Assim, tambm, escreveremos
_vaidoso(s)_, _vaidosa(s)_, sem sinal de acento no _o_ da penltima
slaba, conquanto a pronncia seja _vaidso_, _vaidsos_, _vaidsa(s)_.
Outro tanto suceder com relao ao _o_ aberto de vrios substantivos no
plural, correspondente a _o_ fechado no singular; assim teremos _tejolo_
(_tejlo_), _tejolos_ (_tejlos_), sem acento grfico, mas _trco_,
_trocos_, e _troco_, verbo.

As palavras _espso_, _espsa(s)_, tero acento marcado, em virtude de
existirem as formas verbis _esposa_, _esposa(s)_, com _o_ aberto; mas o
plural _esposos_ dispensa a acentuao por no haver homgrafo a
diferenar. Escreveremos _pr_, com acento circunflexo, para o
diferenar de _por_, preposio; porm _dispor_, _propor_, _expor_,
etc., ortografam-se sem acento distintivo; _portugus_, _corts_ tem o
acento circunflexo no _e_ por este pertencer  ltima slaba,
predominante; em _portugueses_, _portuguesa(s)_, _corteses_ omite-se o
acento por ser desnecessrio, visto os vocbulos haverem passado de
oxtonos a paroxtonos em _-esa(s)_,_-ese(s)_.

Por outra parte, _rvore(s)_ ter acento marcado, por ser esdrxulo,
_arvore(s)_; verbo, no o tem por ser paroxtono em _(e)s_.

93. A conjugao de um imperfeito ou condicional de verbo, como
_louvaria_, _deveria_, _puniria_, _louvava_, _devia_, _punia_, receber
acento nas formas esdrxulas _louvaramos_, _louvvamos_, _deveramos_,
_devamos_, _puniramos_, e nas paroxtonas terminadas em ditongo,
_louvveis_, _louvareis_, _deveis_, _devereis_, _puneis_,
_punireis_; mas _saa_ t-lo h em todas as pessoas do imperfeito,
_saa_, _saas_, _saa_, _saamos_, _saeis_, _saam_, porque o _i_ no
forma ditongo com o _a_ que o precede.

94. Os nomes prprios acentuam-se graficamente como os nomes comuns;
assim escreveremos _Prto_, como _prto_, diferenado de _porto_, verbo;
_Setbal_, _Pontvel_, _Pedrgo_, _Antnio_, _Toms_, _Tom_, _Nazar_,
_Belm_, _gueda_, etc.

 em virtude desta regra que teremos de acentuar a forma verbal _lmos_,
para que se diference de _Lemos_, na escrita, como se diferena na
pronncia.

95. Os vocbulos compostos cujos elementos so unidos por hfen (-)
conservam os seus acentos grficos; ex.: _me-d'agua_, _pra-raios_,
_pesa-papis_.

O mesmo se observar com os advrbios formados com o sufixo _-mente_,
dantes independente, como substantivo que era, o que ainda se reconhece
na locuo _de boa mente_; ex.: _smente_, _cortsmente_, _rpidamente_,
_cristmente_.

96. Nos vocbulos derivados, aumentativos e deminutivos formados com o
infixo _z_, o acento agudo converte-se em acento grave, para que se
evitem leituras errneas; ex.: _m_, _mzinha_, _mzona_; _av_,
_avzinha_.


97. Na escrita comum parte desta acentuao rigorosa e sistemtica
poder, em algumas das suas mincias, ser dispensada; no porm em
livros didcticos, como gramticas, dicionrios, compndios de qualquer
natureza que sejam, nos quais por todas as razes, mas principalmente
para que se no difundam e propaguem erros na pronncia, convm que seja
fielmente aplicada; podendo mesmo ser ampliada com a marcao, mediante
o acento circunflexo, de todos os _ee_ e _oo_ fechados tnicos. Em
qualquer caso, todavia, cumpre que outros sistemas arbitrrios no
substituam esta acentuao grfica, metdica e harmnica, prejudicando-a
na sua coerncia e regularidade, a qual se baseia no exame escrupuloso
dos factos.


       *       *       *       *       *


A Comisso termina esta exposio expressando o voto de que, se merecer
aprovao o sistema proposto, le se propague por meio de cartilhas e
gramticas, que minuciosamente o exemplifiquem, independentemente do
VOCABULRIO.


Direco Geral da Instruo Secundria, Superior e Especial, 23 de
Agosto de 1911.--_Francisco Adolfo Coelho_, Presidente.--_Jos Leite de
Vasconcelos_, Vogal.--_Cndido de Figueiredo_, Vogal.--_Manuel Borges
Grainha_, Vogal.--_Aniceto dos Reis Gonalves Viana_, Relator.--_Jos
Joaquim Nunes_, Secretrio.


              (Dirio do Govrno n.^o 213, de 12 de Setembro de 1911).




Lista de erros corrigidos


Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:


  +----------+---------------------+----------------------+
  |          |      Original       |      Correco       |
  +----------+---------------------+----------------------+
  |#pg.   31| _dessas(s)_         | _dessa(s)_           |
  |#pg.   41| sbala              | slaba               |
  |#pg.   43| _falar_             | _falaz_              |
  |#pg.   46| _(as)_              | _a(s)_               |
  |#pg.   46| _joia_              | _jia_               |
  +----------+---------------------+----------------------+





End of the Project Gutenberg EBook of Bases para a unificao da ortografia
que deve ser adoptada nas escolas e publicaes oficiais, by Anonymous

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phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
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with this eBook or online at www.gutenberg.net

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with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
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through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
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     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
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- You comply with all other terms of this agreement for free
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forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
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of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
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Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
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fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

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with this agreement, and any volunteers associated with the production,
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that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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